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Pesquisa Ipespe: Só 38% dos brasileiros são a favor de privatizar Petrobras

Maioria dos entrevistados seria favorável à privatização caso haja segurança de que a venda leve à queda do preço dos combustíveis - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maioria dos entrevistados seria favorável à privatização caso haja segurança de que a venda leve à queda do preço dos combustíveis Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

20/05/2022 11h49

Pesquisa Ipespe contratada pela XP Investimentos e divulgada hoje aponta que 49% dos entrevistados são contra a privatização da Petrobras, 38% são favoráveis e 13% não souberam ou não responderam. Na semana passada, o novo ministro de Minas Energia, Adolfo Sachsida, deu o primeiro passo nos esforços para privatização da estatal, um sonho antigo da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Ele entregou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, solicitação para que sejam feitos estudos formais para a venda da companhia petrolífera e da PPSA, a estatal responsável pela gestão dos contratos de partilha do pré-sal.

Apesar da iniciativa do governo, a venda das estatais precisa cumprir uma série de trâmites legais até ser efetivada.

Pergunta da pesquisa: o (a) sr(a) é a favor ou contra a privatização da Petrobras?

  • Contra: 49%
  • A favor: 38%
  • Não sabe/não respondeu: 13%

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre suas expectativas de alteração dos preços dos combustíveis caso a Petrobras seja privatizada, e 44% responderam acreditar que eles irão aumentar. 26% pensam que irão continuar os mesmos; 19% avaliam que irão diminuir e 11% não sabem ou não responderam.

Pergunta: Na sua opinião, caso a Petrobras seja privatizada, os preços cobrados pelos combustíveis irão aumentar, diminuir ou continuarão os mesmos?

  • Aumentar: 44%
  • Continuar os mesmos: 26%
  • Diminuir: 19%
  • Não sabe/não respondeu: 11%

O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados (67%) seria favorável à privatização caso haja segurança de que a venda da estatal leve à queda do preço dos combustíveis.

Pergunta: E caso a privatização da Petrobras leve à diminuição dos preços de combustíveis, o(a) sr(a) seria a favor ou contra a sua privatização?

  • A favor: 67%
  • Contra: 27%
  • Não sabe/não respondeu: 7%

Em relação à responsabilidade pelo aumento no valor do combustível, 64% dos entrevistados consideram que a estatal tem "muita responsabilidade" sobre as sucessivas elevações nos preços.

Para 45%, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem muita responsabilidade. A guerra na Ucrânia foi apontada por 40% dos entrevistados como muito responsável pela alta nos preços, mesmo percentual que considera os governadores como principais responsáveis.

Do total de entrevistados, 37% deles classificaram como muito responsáveis os governos anteriores, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Para a pesquisa, o instituto entrou em contato por telefone com 1.000 entrevistados, de 16 anos ou mais, entre os dias 16 e 18 de maio. O nível de confiança é de 95,5% e a margem de erro de 3,2 pontos percentuais. A sondagem foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-08011/2022.

Ministro caiu após aumento dos preços

Bolsonaro trocou o comando do Ministério de Minas e Energia após atacar a política de preços da estatal, ligada à pasta. Bento Albuquerque deixou a chefia do ministério no dia 11 de maio.

Dois dias antes, a empresa anunciou aumento de 8,87% no preço do diesel nas suas refinarias. Nos postos, o preço do diesel aumentou em 96% durante o governo Bolsonaro, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

A Petrobras pratica preços ligados à cotação internacional do petróleo e ao dólar. Quando eles sobem, os combustíveis sobem junto.

Em uma live, o presidente pediu que a estatal reduzisse seu lucro, que ele considerou "absurdo" e "um estupro". Na declaração, no entanto, ele omitiu que o governo é o maior acionista da empresa —-ou seja, o lucro da empresa garante verba para o caixa do governo.

* Com Estadão Conteúdo