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Funcionária sobre assédios na Caixa: Mulheres se escondiam de Guimarães

Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal - Valter Campanato/Agência Brasil
Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

30/06/2022 17h33

Uma testemunha dos assédios recentemente denunciados contra o então presidente da Caixa Pedro Guimarães, mostrou o rosto e fez novos relatos sobre as situações. A mulher, que é assessora de diretoria do banco e trabalhava na matriz, mas não diretamente com Guimarães, disse que as funcionárias se escondiam no banheiro ao ouvir a voz do chefe no corredor. O relato foi mostrado pela GloboNews.

"Era comum a gente, a mulherada, não só eu, algumas colegas, se esconderem no banheiro quando ouvia a voz dele chegando no corredor, fazendo aquele estardalhaço, aquela confusão toda para tirar foto", conta.

Segundo a funcionária, Guimarães passava pelas mesas dos funcionários pedindo fotos. Por se sentirem desconfortáveis, e evitarem passar por isso novamente, elas se escondiam, inclusive, atrás de mesas, conforme relatou.

Uma colega falou que já pulou uma mesa para evitar um abraço. Já se escondeu atrás de uma mesa
Testemunha e funcionária da Caixa sobre assédios de ex-presidente

"E foi isso. Nesse dia eu tava no meu gabinete, onde eu trabalhava, e veio com o mesmo procedimento, mesmo padrão repetitivo de sempre: 'quero tirar foto, quero tirar foto, você não tem foto comigo. Você é de onde? Você tem cara de brava'. E nesse lance de foto, agarrava a gente, não soltava, passava a mão na lateral do seio, passava a mão na cintura, pegava forte na cintura. Aquele desconforto só. E nesse dia, o abraço foi desconfortável, extremamente desconfortável. Eu olhava para frente com cara de medo, de espanto, e os colegas me encarando, tipo: 'eu sei o que você está passando', mas quem ia falar assim?", relata.

Indicado ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2019, Guimarães pediu demissão ontem, em carta entregue ao chefe do Executivo federal. No texto, o economista declarou que combateu o assédio dentro do banco, negou as acusações e disse ser colocado em uma "situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade".

A saída de Guimarães foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) na noite de ontem. Para o lugar dele, o governo anuncia Daniella Marques Consentino, considerada uma das protagonistas da gestão de Paulo Guedes no Ministério da Economia. A nomeação foi antecipada pela colunista Carla Araújo, do UOL.

Assédio moral

Áudios obtidos pela coluna de Rodrigo Rangel, no site Metrópoles, mostram o ex-presidente da Caixa ameaçando funcionários de demissão, além de uma rotina de xingamentos, em relatos de assédio moral.

Caguei para a opinião de vocês porque eu que mando. Não estou perguntando. Isso aqui não é uma democracia, é a minha decisão
Ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante uma reunião

Em outro áudio, Guimarães insinua que pode demitir funcionários que tomarem decisões sem consultá-lo.

"Vocês são malucos. Vocês só têm a perder. Não tem que ligar para ninguém. Se eu não dei ok, não dei ok e acabou. Por que vocês vão tomar o risco de perder a função por uma coisa que eu não autorizei?", questiona Guimarães.