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iPhone 13 custa 1 milhão de pesos após preços na Argentina dispararem

iPhone 13 Pro custa mais de 1 milhão de pesos na Argentina - Mike Segar/Reuters
iPhone 13 Pro custa mais de 1 milhão de pesos na Argentina Imagem: Mike Segar/Reuters

Do UOL, em São Paulo

12/07/2022 18h58Atualizada em 13/07/2022 09h51

Como reflexo da crise econômica e social, a Argentina tem visto continuamente seus preços dispararem em um curto espaço de tempo. Por meio de sites online, é possível comparar preços de produtos vendidos na Argentina com o restante dos países. Por exemplo, o iPhone 13, produto que a Apple lançou no ano passado, está sendo vendido a mais de 1 milhão de pesos argentinos (1,.007.149 pesos), equivalente a quase US$ 8 mil. A venda é feita pela única empresa de eletrodomésticos que tem o aparelho em estoque.

Para comparação, o salário mínimo na Argentina é de 45.540 pesos. Ou seja, para comprar um iPhone são necessários quase 22 salários mínimos do país.

Segundo o jornal "La Nación", em dólares, o preço na rede de eletrodomésticos equivalia a US$ 3.844 na liquidação, até ontem. Nenhum lugar do mundo o preço deste iPhone é tão elevado.

Por estar em um preço inacessível para a maior parte da população, o produto pode, inclusive, sumir dos estoques, pela falta de vendas.

Outros produtos

Pelo site Duty Free, colocando a cotação de preços de Buenos Aires, outros produtos estão com valores exorbitantes por conta da desvalorização do peso argentino frente ao dólar. Hoje 1 Dólar americano é igual a 127,58 pesos argentinos. Veja alguns exemplos:

  • Perfume Clinique Aromatics Elixir Perfume Spray: 13.906,07 pesos ou US$ 109
  • Chocolate Kinder pequeno: 1.913,68 pesos ou US$ 15
  • Toblerone sortido: 5.039,35 pesos ou US$ 39,50
  • Relógio inteligente Xiaomi (mais vendido): 26663 pesos ou US$208,99
  • Caixinha de som JBL: 6251,35 pesos ou US$49
  • Fone sem fio Apple: 57.282,79 ou US$ 449

Contexto do país

Mesmo antes da pandemia a economia argentina já vinha em uma crise de anos. Porém, dentro do próprio governo há uma clara ruptura entre aqueles que apoiam a vice-presidente Cristina Kirchner e aqueles que defendem o presidente Alberto Fernández. O conflito resultou na queda do ministro da economia, Martín Gusmán. Ele tinha credibilidade com o Fundo Monetário Internacional, com quem a Argentina amarga uma dívida elevada em negociação.

Para seu lugar foi chamada a economista Silvina Batakis. Ela é alinhada de Kirchner e já atuava no governo como secretária de Províncias do Ministério do Interior, cargo no qual mantinha relação direta com os governadores. Entre 2011 e 2015, virou ministra da Economia da província de Buenos Aires. Depois de intensas negociações, a designação de Batakis foi o único ponto de acordo entre Fernández e sua vice-presidente.

A chegada da nova ministra abalou o mercado e os investidores, pois os agentes não têm a certeza de qual será a linha e as medidas por ela para lidar com a dívida externa e os problemas sociais do país - além da inflação, 37% da população vive na linha da pobreza. As reservas em moeda estrangeira também estão baixas, por conta dos altos custos de importação de energia e, com isso, os investidores estão questionando a capacidade do país de honrar seus compromissos de dívida. Os retornos dos títulos do governo estão entre os mais altos do mundo

A nova ministra garante que cumprirá o acordo com o FMI. Acordo este assinado em 2022 e que estabelece um acordo de ampliação de recursos de cerca de US$ 44,5 bilhões, em substituição ao instrumento de crédito "stand-by" assinado pelo governo anterior de Mauricio Macri (2015-19). O novo acordo contempla uma redução do déficit fiscal de 3% do PIB, no ano passado, para 2,5%, em 2022; 1,9%, em 2023; e 0,9%, em 2024.

O nível do risco-país - conceito econômico e financeiro que diz respeito à possibilidade das mudanças no ambiente de negócios de um país impacte negativamente o valor dos ativos - da Argentina subiu para 2.654 pontos-base na última quarta-feira (6), devido à crescente desconfiança sobre a economia doméstica e às consequências de tensões dentro da coalizão política no poder.

Para tentar conter a alta dos preços, o governo anunciou recentemente uma nova elevação dos juros no país para 52% ao ano, mas mesmo assim a taxa elevada não tem sido suficiente para conter os preços. Há risco até mesmo de desabastecimento de alguns produtos, como os grãos. Até mesmo empresários têm estocado produtos para tentar segurar os preços. A maioria dos economistas entende como irresponsável os gastos públicos como vêm sendo feitos na Argentina, com sucessivos anos ficando acima da capacidade de arrecadação e sem apresentar lastro que gere algum retorno em curto ou longo prazo.