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Federal Reserve sobe taxa de juros nos EUA em 0,75 ponto percentual

Prédio do Federal Reserve, FED, o Banco Central nos Estados Unidos EUA em Washington - traveler1116/iStock
Prédio do Federal Reserve, FED, o Banco Central nos Estados Unidos EUA em Washington Imagem: traveler1116/iStock

Do UOL, em São Paulo*

27/07/2022 15h32Atualizada em 27/07/2022 16h26

O banco central americano decidiu subir a taxa de juros dos EUA em 0,75 ponto percentual, para a faixa entre 2,25% e 2,5% ao ano. As informações foram divulgadas nesta quarta (27) em um comunicado do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve, o Fed.

A decisão foi unânime. É a quarta vez neste ano que os EUA sobem os juros, e a tendência proposta pelo Comitê é a de que nas próximas reuniões a taxa deve aumentar ainda mais.

O Federal Reserve também decidiu elevar a taxa de juros paga sobre saldo de reserva para 2,4%, decisão que entra em vigor a partir de amanhã (28), e a taxa de desconto em 0,75 ponto percentual, para 2,5%.

Por que está subindo? A razão para o aumento dos juros é a inflação elevada. Em junho a taxa oficial, que levou em consideração os últimos 12 meses, ficou em 9,1%, maior taxa desde novembro de 1981. Com isso, os preços dos alimentos e combustíveis permanecem elevados.

Segundo o Fomc, o desequilíbrio entre oferta e demanda relacionados à pandemia, refletia em preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços.

Por que subir juro impacta na inflação? A prática de elevar juros para combater a inflação parte do pressuposto de que o consumo irá reduzir por tornar o crédito e os empréstimos mais caros.

No entanto, economistas divergem sobre a eficiência dessa medida para o atual momento, visto que os países têm enfrentado dificuldades econômicas e inflacionárias por problemas que partem não apenas interna, mas externamente, como a Guerra da Ucrânia, o lockdown para combater a Covid-19 na China e as incertezas do futuro frente a estes desafios.

Como isso impacta no Brasil? A decisão dos EUA pode ter impacto na inflação do Brasil também, afirma o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano.

"Com a alta de juros, há um processo de redução da demanda global", afirma, já que os juros altos deixam o crédito mais caro.

Serrano lembra que boa parte da inflação registrada pelo Brasil em 2021, de 10,06%, foi "importada" do exterior. Ou seja, a disparada dos preços de commodities como o petróleo e dos alimentos impulsionou a inflação brasileira.

O exemplo clássico é o dos combustíveis: a gasolina subiu 47,49% no ano passado no Brasil e o diesel avançou 46,04%. Em 2022, nos 12 meses até junho, a inflação acumulada no Brasil é de 11,89%.

*Com Estadão Conteúdo