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Economia da Argentina faz brasileiro se sentir quase rico; compare preços

Bandeira da Argentina hasteada em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires - Ricardo Ceppi/Getty Images
Bandeira da Argentina hasteada em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires Imagem: Ricardo Ceppi/Getty Images

Matheus Brum

Colaboração para o UOL

08/08/2022 04h00

A situação econômica na Argentina piora a cada dia. Segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), a inflação no país em junho foi de 5,3%. O acumulado dos últimos 12 meses é de 64%. O câmbio também sofre, e o peso argentino está desvalorizado. Brasileiros que visitam o país têm a sensação de estarem quase ricos, conseguindo comprar produtos por preços muito menores do que aqui. Um prato feito popular custa em torno de R$ 8 e uma pizza grande, cerca de R$ 22.

Por que o real está valorizado na Argentina? Em virtude da crise financeira, o governo argentino toma medidas para evitar que o câmbio se desvalorize muito e prejudique os números da economia. Na cotação oficial, R$ 1 equivalia a 25,21 pesos argentinos no final de julho.

Só que no país há um câmbio paralelo. Bancos e empresas como a Western Union, fazem legamente o serviço de câmbio paralelo. O valor de R$ 1 no fim de julho era equivalente a 59,44 pesos argentinos. Ou seja, mais que o dobro da cotação oficial do país.

No caso da Western Union, o câmbio utilizado é o chamado blue chip swap, que é o destinado a transações correntes na Argentina — ou seja, reflete um valor real da moeda americana, no dia da definição da troca, e não um número fixado pelo governo, como ocorre no caso do câmbio oficial.

Você pode fazer a troca cambial com pix, enviando reais para a Western Union e sacando em pesos em uma das lojas da empresa na Argentina. As taxas cobradas são: 3% do valor da transação e 1% de imposto federal. Há um limite de envio mensal de R$ 6.000.

É arriscado usar o câmbio paralelo? É importante destacar que há empresas legalizadas que fazem esse serviço. O turista que for para a Argentina precisa ficar atento para não cair em golpes aplicados por cambistas na rua, que podem passar notas falsificadas.

Quais as diferenças de preços? Com base no câmbio praticado pela Western Union, o UOL pesquisou para ver se realmente consumir na Argentina é mais barato que no Brasil. A resposta é sim —e em diversos segmentos. Veja exemplos a seguir:

Alimentação: Em Buenos Aires, o preço médio de um Bic Mac é 620 pesos, equivalente a R$ 10,43. É um pouco mais barato do que o produto encontrado no Rio de Janeiro, que sai a R$ 12,90.

No Subway, um pedido de frango com cheddar, de 30 cm, em Rosário, custa 1.310 pesos, ou R$ 22,04. Já em uma franquia de São Paulo, o valor é R$ 36,30.

Segundo sites especializados em viagens, um prato feito no país sai em média por 500 pesos, equivalente a R$ 8,41. A depender da cidade em que estiver, esse preço pode ser maior. Os tradicionais vinhos argentinos custam, em média, R$ 18 nos restaurantes de Buenos Aires.

Um cachorro-quente, em média, custa R$ 2,20. E uma pizza grande é encontrada na faixa de R$ 22. Boas opções para comer junto da família.

Transporte público: O metrô também fica mais em conta. Para usar o transporte, é preciso comprar o cartão SUBE, que custa 90 pesos (R$ 1,51). Cada viagem sai por 30 pesos (R$ 0,50), valor bem abaixo do praticado nas principais capitais brasileiras. Em São Paulo, a passagem custa R$ 4,40.

Se não quiser experimentar o transporte público, locomover-se por aplicativo também é barato. Uma corrida entre o Aeroporto Internacional de Buenos Aires e o Obelisco, no coração da capital argentina, custa 2.740 pesos (R$ 46,10). A distância entre os dois lugares é de 32 quilômetros.

Uma corrida por aplicativo do aeroporto de Guarulhos para o aeroporto de Congonhas, ambos em São Paulo, sai por cerca de R$ 84. A distância entre eles é de 34 quilômetros.

Passeios: Há museus gratuitos e outros que cobram a entrada. O museu do Boca Juniors, que contempla a visita ao Estádio La Bombonera, custa para visitante estrangeiro, 1.100 pesos (R$ 18,51). As crianças pagam menos, 700 pesos (R$ 11,78). Esse é o mesmo valor para quem for visitar o Museu de Arte Latinoamericano.

O Museu do Argentinos Juniors, que conta parte da história de Maradona, tem entrada de 500 pesos (R$ 8,41). Menores de 12 anos não pagam para entrar. O ingresso no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, custa até R$ 20.

O valor de 500 pesos é o mesmo para entrar no Museu de Buenos Aires, que conta a história e a cultura da capital argentina.

Futebol: Para quem é apaixonado por futebol, ir a lojas oficiais de Boca Juniors e River Plate também é interessante. As camisas custam entre R$ 235,51 e R$ 252,33. Ambos os times são patrocinados pela Adidas. Para efeito de comparação, as camisas de Flamengo e Atlético-MG, também patrocinadas pela Adidas, custam R$ 299,99 na loja oficial da empresa de material esportivo.

Com R$ 100 na loja do Boca, por exemplo, você consegue comprar uma tábua de picar carne, um abridor de latas, uma bacia para alimentar pets, quatro garrafas de água e uma toalha de rosto. Na do River, com o mesmo valor, você consegue comprar a tábua de picar carne, a garrafa de chimarrão, um gorro e um abridor de lata.

Roupas: O setor de vestuário é mais barato, mas nem tanto quanto outros itens. Em uma loja Renner em Córdoba, um dos destinos turísticos mais visitados, o preço de uma calça jeans preta masculina chega a R$ 103,95. No Brasil, em uma loja da mesma empresa, o valor varia entre R$ 119,90 e R$ 139,90, a depender do modelo.