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Inflação fica em -0,68% em julho, menor taxa desde início da série em 1980

Paulo Liebert/Estadão Conteúdo
Imagem: Paulo Liebert/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

09/08/2022 09h04Atualizada em 09/08/2022 15h41

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma deflação —inflação negativa— de 0,68% no mês de julho, informou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É a menor taxa registrada desde o início da série histórica, em janeiro de 1980.

Apesar da queda no mês passado, a inflação oficial no país acumula alta de 4,77% em 2022; nos últimos 12 meses, a alta é de 10,07%. Os números continuam acima da meta do Banco Central para a inflação neste ano, de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos —ou seja, variando entre 2% e 5%.

A queda no IPCA foi puxada principalmente pela redução nos preços de combustíveis (-14,15%) e energia elétrica (-5,78%). A desaceleração era esperada após a Petrobras anunciar que o preço médio do combustível vendido a distribuidoras ficaria R$ 0,20 mais barato. Em junho, também houve a redução do ICMS sobre serviços essenciais, como energia elétrica, comunicações e combustíveis.

"Essa redução afetou não só o grupo de transportes (-4,51%), mas também o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica. Foram esses dois grupos, os únicos com variação negativa do índice, que puxaram o resultado para baixo", explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Em junho, a inflação havia registrado alta de 0,67%, puxada pelos preços dos alimentos e pelo reajuste dos planos de saúde.

Combustíveis puxam desaceleração

O preço da gasolina em julho caiu 15,48% e o do etanol 11,38%. Também foi registrada queda no preço do gás veicular, com -5,67%.

O único combustível com alta em julho foi o óleo diesel (4,59%). Em junho, o subitem registrou alta de 3,82%.

Segundo o IBGE, a gasolina, individualmente, foi o subitem com impacto negativo mais intenso no IPCA de julho, com -1,04 pontos percentuais. O índice é composto por 377 subitens.

Alimentos têm alta de 1,30% em julho

Apesar da desaceleração em combustíveis e energia elétrica, o setor da alimentação e bebidas foi o grupo com maior variação em julho (1,30%). O resultado é puxado pelo leite longa vida (25%) e derivados, como o queijo (5,28%) e manteiga (5,75%).

Outro destaque foram as frutas, com alta de 4,40%. No lado das quedas, os maiores recuos de preços vieram do tomate (-23,68%), da batata-inglesa (-16,62%) e da cenoura (-15,34%), segundo o IBGE.

Sobre o IPCA

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados entre 31 de março e 29 de abril de 2022 (referência) com os preços vigentes entre 26 de fevereiro a 30 de março de 2022 (base).