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Carta de Lula busca acalmar mercado, mas ainda é vaga, dizem analistas

Carta foi divulgada nesta quinta-feira (27) - Daniel Brasil/Photopress/Estadão Conteúdo
Carta foi divulgada nesta quinta-feira (27) Imagem: Daniel Brasil/Photopress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

28/10/2022 04h00

O candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma carta na quinta-feira (27), a três dias do segundo turno da eleição, em que promete uma política fiscal responsável.

O que a carta diz? A divulgação da carta foi vista com bons olhos por analistas do mercado financeiro, com a declaração de que, caso eleito, fará um governo baseado em uma política econômica responsável. No entanto, o documento não trouxe novidades e ainda é considerado vago em propostas.

Estilo Lula ou Dilma? Paulo Henrique Duarte, economista da Valor Investimentos, afirma que uma das dúvidas do mercado financeiro era se a política de Lula seria mais parecida com o seu primeiro mandato, com mais responsabilidade fiscal, ou com o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, considerado menos responsável.

Do que os analistas gostariam? Duarte diz que a carta é um aceno de Lula ao mercado tentando responder pontos questionados durante a campanha, mas "não traz um alento nem grandes esclarecimentos".

Embora a carta dê um aceno ao mercado falando em responsabilidade fiscal, ela é vaga em descrever propostas concretas ou até mesmo em abrir quem seriam as figuras que ocupariam as posições centrais num eventual governo, como ministro da Economia ou presidente do Banco Central.
Paulo Henrique Duarte, economista da Valor Investimentos

Conquista do eleitor de centro: Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos, também diz que a carta não trouxe novidades ao mercado. Para ele, ela é um sinal claro de que Lula está tentando conversar com o eleitor de centro. Ele diz que a carta é boa, mas que reforça o que já era esperado da campanha.

Algumas especulações do mercado apontam Henrique Meirelles como possível ministro da Economia em um mandato de Lula. O fato de Geraldo Alckmin ser o candidato a vice-presidente também dava sinais de que a candidatura anunciaria uma política fiscal mais responsável, para buscar o voto do eleitor de centro

Felipe Miranda, CEO do grupo Empiricus, diz que a carta traz um "compromisso muito condicionado e frágil", mas que é "melhor do que nada".

A maior probabilidade é de termos um Lula calmo se ele for eleito no domingo, com discurso mais pacifista e acolhedor, de frente ampla. É um movimento que pode atrair o investidor de fora e diminuir os riscos, passar ao mundo uma mensagem de que uma eleição ordeira e democrática é possível e construtiva.
Felipe Miranda, CEO do grupo Empiricus

Carta formaliza compromisso de Lula com política fiscal: Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, diz que a divulgação da carta é positiva, porque o mercado financeiro esperava por uma sinalização de Lula sobre seu plano econômico, se eleito.

Alves diz que o fato de Lula assumir um compromisso com a responsabilidade fiscal ajuda a animar os investidores, que podem aguardar uma postura mais focada no desenvolvimento econômico, sem aumentar demais o endividamento do estado.

O que a diz a carta de Lula: O documento afirma que a "política fiscal responsável deve seguir regras claras e realistas, com compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação".

A carta também promete salário mínimo com reajuste anual acima da inflação, um novo Bolsa Família com valor de R$ 600, mais R$ 150 para cada criança de até seis anos, um programa de renegociação de dívidas batizado de "Desenrola Brasil" e a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000.