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Americanas contratam ex-empregadora de Moro para ajudar em reestruturação

Lojas Americanas - Ueslei Marcelino/Reuters
Lojas Americanas Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Do UOL, em São Paulo

23/01/2023 20h50Atualizada em 23/01/2023 21h01

As Americanas contrataram a empresa de consultoria A&M (Alvarez & Marsal).

Após o rombo milionário na empresa, a A&M atuará na reestruturação da empresa.

A empresa de consultoria teve entre seus funcionários o ex-ministro, ex-juiz e senador eleito Sergio Moro (União Brasil-PR), que trabalhou para ela até 2021.

Em comunicado ao mercado, as Americanas disseram que a Alvarez & Marsal entrará no processo de recuperação judicial da empresa. O acerto também foi confirmado pela empresa de consultoria ao UOL.

A A&M foi responsável pela recuperação judicial da Odebrecht, alvo da Operação Lava Jato.

O objetivo da Companhia é assegurar que a equipe executiva tenha todo apoio e ferramentas de referência no mercado para atingir os objetivos estratégicos do negócio."
Comunicado das Americanas

O comunicado ainda assegurou que as Americanas manterão os acionistas e o mercado atualizados sobre a recuperação judicial.

Na quinta-feira, a 4ª Vara Empresarial do Rio, aceitou o pedido de recuperação judicial das Americanas. A empresa declarou em seu pedido dívidas de R$ 43 bilhões de um total de cerca de 16.300 credores.

Até o terceiro trimestre de 2022 (dado do último balanço financeiro), antes da revelação do rombo nos balanços das Americanas, a empresa informava um endividamento bruto de R$ 19,3 bilhões.

Entenda a crise das Americanas

  • A recuperação judicial é um instrumento jurídico que tem como objetivo dar fôlego para uma empresa se recuperar de uma situação financeira difícil e evitar a falência.
  • O ex-CEO da empresa Sérgio Rial ficou apenas dez dias no cargo e pediu demissão após revelar um rombo de R$ 20 bilhões na empresa
  • No dia 13, as Americanas conseguiram uma proteção liminar contra credores e a Justiça deu 30 dias para a empresa decidir se pedirá ou não recuperação judicial, citando uma dívida potencial de R$ 40 bilhões.
  • A agência S&P rebaixou a nota de risco de crédito das Americanas para "D", de default (calote).
  • Bancos conseguiram reverter a decisão liminar e, em razão da falta de avanço nas negociações com credores, as Americanas decidiram pelo caminho da recuperação judicial.
  • BTG Pactual, Bradesco e Santander Brasil estão entre os mais expostos à dívida da varejista.
  • A CVM abriu investigações para apurar o escândalo contábil. Um grupo de acionistas minoritários também entrou na Justiça pedindo indenização e dizendo que a empresa "manipulou fatos e dados".
  • Para justificar o pedido de recuperação judicial, a empresa argumentou que sem a proteção contra credores há risco de 'absoluto aniquilamento do fluxo de caixa' do grupo, o que impedirá o pagamento de fornecedores e funcionários.
  • A empresa afirma manter mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, e reunir 3.600 estabelecimentos no país.