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Mercadante toma posse no BNDES e cita América do Sul: 'Atuar com vizinhos'

Do UOL, em São Paulo

06/02/2023 11h53Atualizada em 06/02/2023 14h52

Aloizio Mercadante tomou posse hoje na presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em cerimônia no Rio de Janeiro que contou com a presença do presidente Lula (PT) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O ex-ministro afirmou que não pretende disputar mercado com a iniciativa privada e que deseja mais cooperação com os outros países sul-americanos. "Nosso desenvolvimento passa necessariamente pela integração da América Latina e pela parceria com países do Sul Global", afirmou.

Nosso destino está, portanto, indissoluvelmente ligado ao destino da nossa região. O Brasil é grande, mas será ainda maior quando atuar em conjunto com seus vizinhos.
Aloizio Mercadante em posse no BNDES

Mercadante também reafirmou compromisso com a igualdade racial, e anunciou a construção de um museu sobre a história da escravidão no Rio. "Não podemos esquecer essa chaga. O museu ficará localizado no Valongo, que foi a porta de entrada que recebeu mais escravos africanos em todo mundo", disse, se referindo ao cais no centro carioca.

Mercadante assume BNDES com desafio de reindustrialização. A carteira da indústria do banco, que já chegou a ser de 43%, hoje é de 16%.

Para especialistas, a indicação de Mercadante sinaliza que o governo aprendeu com erros do passado. "Há o reconhecimento dos equívocos que começaram no governo Lula 2, com um ativismo excessivo do BNDES, que sufocou o crédito no setor privado com custo enorme para o Tesouro", disse Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos ao UOL.

Destaques do discurso

Se quisermos ter futuro, precisaremos de um BNDES mais presente e atuante, e de uma relação de equilíbrio com o Tesouro Nacional. Mas não pretendemos ficar disputando mercado com o sistema financeiro privado. Precisamos de parcerias e o BNDES pode contribuir para reduzir risco, abrir novos mercados, alongar prazos e elaborar bons projetos para os investimentos.

Antes da crise da dívida e da chamada "década perdida", a indústria brasileira era maior do que a da Coreia e a da China, somadas. Essa transformação fantástica não teria sido possível sem o BNDES.

Quem é Aloizio Mercadante

  • Mestre e doutor em economia pela Unicamp (Universidade de Campinas)
  • Foi ministro de três pastas diferentes durante os governos de Dilma Rousseff: da Educação, da Casa Civil e da Ciência, Tecnologia e Inovação;
  • Coordenador do programa de governo durante a campanha de Lula
  • Ex-senador por São Paulo (2003-2011)
  • Concorreu à vice-presidência na chapa de Lula em 1994