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OPINIÃO

Monica de Bolle: BC deveria baixar taxa de juros após crise nos EUA

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/03/2023 21h04

A economista Monica de Bolle participou hoje (15) do programa Análise da Notícia e, após falar sobre a crise bancária nos Estados Unidos, afirmou que o Banco Central deveria baixar a taxa de juros no Brasil. Atualmente a taxa está em 13,75% ao ano.

Se o Banco Central não está preocupado em baixar a taxa de juros, deveria. Especialmente depois dessa crise com os bancos americanos. Monica de Bolle

O mercado financeiro está em pânico, de acordo com a especialista, após o maior investidor do Credit Suisse dizer que não pode fornecer mais assistência financeira, e a falência dos bancos SVB (Silicon Valley Bank) e Signature Bank, de Nova York.

Apesar de serem eventos distintos sem uma relação direta, De Bolle explicou que a própria situação atual do Brasil, com problemas no mercado de crédito privado, deveriam acender um alerta para o Banco Central em relação às taxas de juros. Ela afirmou que as altas taxas praticadas estão fazendo com que empresas brasileiras se endividam e, posteriormente, isso pode gerar uma recessão.

"No Brasil o problema está acontecendo no mercado de crédito privado. Olha as empresas brasileiras com dificuldade imensa de conseguir crédito e dificultando o pagamento de juros devido aos juros altos. Estão endividadas e, portanto, o colapso que está acontecendo no mercado de crédito privado em razão das altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central estão deixando as empresas em dificuldade", disse.

Diante desse cenário, a economista afirmou que os bancos podem repercutir nos bancos brasileiros, uma vez que essas empresas que enfrentam dificuldades tomaram empréstimos dos próprios bancos. Dessa forma, a economia brasileira entraria em recessão.

"Acho que o Banco Central deveria reduzir a taxa de juros porque todo o cenário que se apresenta, inclusive com essa situação do crédito privado, é um quadro recessivo. Começa a ter um monte de empresa pedindo concordata com risco de falência e isso daqui a pouco vira desemprego e começa a ter efeito multiplicador na economia".

Por fim, diante do temor do mercado financeiro com a crise nos bancos dos Estados Unidos, e diante do cenário que as empresas brasileiras enfrentam, de Bolle reafirmou que o Banco Central deve ter uma atitude que proteja a economia brasileira olhando para o risco de recessão como principal preocupação, e não para a inflação do país no momento.

O Análise da Notícia vai ao ar às terças, quartas e quintas, às 19h.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja a íntegra do programa: