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Bombril faz acordo milionário para pagar dívidas; empresa sairá da crise?

Carlos Moreno e Pelé em propaganda da Bombril - Reprodução/YouTube
Carlos Moreno e Pelé em propaganda da Bombril Imagem: Reprodução/YouTube

Juliana Soane

Colaboração para o UOL, de São Paulo

23/04/2023 04h00

A Bombril está em crise. Conhecida por seus produtos de higiene e limpeza, a empresa teve de recorrer a um empréstimo de R$ 300 milhões para manter suas atividades.

O que aconteceu?

No início dos anos 2000, a Bombril tentou diversificar seu catálogo de produtos. A empresa chegou até a lançar uma linha de cosméticos, mas a iniciativa fracassou.

Sem obter o retorno esperado com os lançamentos, a empresa se endividou e pediu recuperação judicial em 2003. A empresa saiu da fase de recuperação em 2006, mas continuou muito endividada.

Em 2013, a Bombril chegou a sumir das prateleiras dos mercados por falta de dinheiro para produção e transporte. No auge da crise, em 2015, as dívidas do grupo chegaram a quase R$ 900 milhões.

Em 2017, após uma grande reestruturação, a companhia fechou o ano no azul. A empresa chegou a registrar resultados positivos em suas vendas nos últimos anos, mas não o bastante para superar a dívida acumulada nos anos de crise.

Hoje, a Bombril tem dívida bruta de R$ 401 milhões, com juros em torno de 24% ao ano. A maior parte do montante (77%) vence em 12 meses. Foi por isso que a companhia precisou recorrer a um empréstimo de R$ 300 milhões para seguir na ativa.

Futuro depende de gestão

O empréstimo dá fôlego à Bombril, mas ainda há muito a fazer. Na prática, a empresa trocou várias dívidas menores, prestes a vencer e com juros altos, por uma dívida mais longa, mas com condições melhores de pagamento.

Isso [o empréstimo] não vai fazer a Bombril sair do vermelho para o azul. O que vai fazer isso não é dinheiro, é gestão: é receita maior que despesa.
Roberto Kanter, economista especialista em Varejo e professor da FGV

E há obstáculos consideráveis, diz Kanter. Segundo ele, a Bombril precisa reestruturar o negócio e desenvolver novos canais de vendas para sair da crise.

O Bombril é ótimo, mas as pessoas não compram toda semana. Enquanto o mundo inteiro busca criar modelos digitais, a Bombril é muito analógica. Isso, talvez, seja um dos maiores entraves ao futuro da companhia.
Roberto Kanter

Foco nas marcas

Para Kanter, a Bombril deveria focar no desenvolvimento de suas outras marcas. A companhia foi fundada em 1948 em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e também tem os produtos Limpol, Kalipto, Pinho Bril, Sapólio e Mon Bijou em seu portfólio.

O que diz a Bombril?

Os problemas fizeram com que o valor de mercado da Bombril (BOBR4) despencasse 77% em cinco anos. Em 20 de abril de 2018, a ação valia R$ 5,13; em 19 de abril deste ano, os papéis da companhia valiam R$ 1,18.

Apesar disso, a empresa nega estar passando por uma crise. Em comunicado divulgado em janeiro, a fabricante de produtos de limpeza disse que "o tamanho da dívida não está tão alto para o porte da empresa".

O maior problema da companhia era mesmo o custo das dívidas e os vencimentos, que foram resolvidos agora.
Ronnie Motta, presidente da Bombril

Ao UOL, Motta disse a Bombril "está em seu melhor momento operacional". Ele também afirmou que a empresa teve faturamento recorde de R$ 2 bilhões em 2022 e está focada na rentabilidade.

Estamos olhando com bastante critério nossas margens, melhorando nosso mix de venda, posicionando corretamente nosso produto na gôndola e negociando melhores condições com os fornecedores.
Ronnie Motta, presidente da Bombril

Reveja comerciais clássicos

Nos anos 1980, a empresa construiu uma imagem sólida com o slogan "1001 utilidades". A frase era ouvida frequentemente nas televisões em comerciais na TV que, por 34 anos foram estrelados por Carlos Moreno, o Garoto Bombril. Confira alguns deles a seguir.