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Haddad diz que representante da Shein lhe prometeu regularizar impostos

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em audiência no Senado - Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em audiência no Senado Imagem: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Do UOL, em São Paulo

05/05/2023 09h29Atualizada em 05/05/2023 13h52

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo federal recuou do fim da isenção para produtos importados, que atingiria gigantes do varejo asiático, após responsáveis pela Shein acordarem em produzir e pagar impostos no Brasil.

O que disse Haddad?

"Chairman da Shein veio lá de Singapura" para anunciar o acordo. "O governo recuou porque a Shein recuou. Assinou uma carta se comprometendo a gerar 100 mil novos empregos no Brasil e a pagar [impostos] como qualquer comunidade paga". A declaração foi feita em entrevista à rádio CBN.

"Vou quebrar o varejo por causa da Shein?". Haddad disse querer que o consumidor tenha "leque de opções" com concorrentes em "igualdade de disputa", já que o varejo corresponde a 25% do total de carteiras assinadas no Brasil. "A Shein vindo, produzindo, gerando emprego em conformidade com a legislação brasileira, não tenho problema nenhum".

"Comunicação tem que melhorar muito, inclusive a minha". Questionado sobre as críticas recebidas principalmente nas redes sociais após o anúncio do fim da isenção, Haddad afirmou que é preciso "bater mais o bumbo" para programas anunciados pelo governo federal, mas não comentou especificamente sobre o caso das varejistas.

Shein anunciou produção no Brasil após ameaça do governo

Varejista disse que vai nacionalizar 85% da sua venda de produtos e prevê criar 100 mil novos empregos em três anos no Brasil.

O anúncio aconteceu dois dias após o recuo do governo em relação ao fim da isenção que existe atualmente para encomendas internacionais de transações entre pessoas físicas no valor de até US$ 50.

O encontro de Haddad com representantes da Shein, na época, contou com a presença do vice-presidente executivo, Donald Tang, e do CEO da empresa no Brasil, Yuning Liu.

Segundo a Receita Federal, as empresas usam a regra atual de distinção na cobrança de impostos de maneira fraudulenta. Pelas regras atuais, compras internacionais de até US$ 50 estão isentas, desde que sejam enviadas de uma pessoa para outra. Encomendas enviadas por empresas para pessoas são taxadas em 60%.