Sem propostas, leilão da marca da Pan inicia nova fase com 50% de desconto

O leilão da marca de chocolates Pan (Produtos Alimentícios Nacionais), falida em fevereiro de 2023, entrou na segunda fase após nenhuma empresa fazer proposta pelo lote de doces como as moedas de chocolate e o Chocolápis, em formato de lápis. O certame, que é exclusivamente online, aceita o lance mínimo com 50% de desconto.

Como será a nova etapa do leilão

As empresas podem fazer uma oferta de pelo menos R$ 13.894.377,00. Essa etapa foi iniciada na quinta-feira (1º) e será encerrada na sexta-feira (16), prevista para as 13h. Na primeira praça, as propostas começavam em R$ 27.788.754,00, valor apontado pela consultoria KS Brand após perícia realizada a pedido da Justiça de São Paulo.

A Positivo Leilões, empresa responsável por organizar a disputa, diz que há 12 interessados. Até o momento, quatro companhias se habilitaram para participar e oito avaliam se participarão do leilão, mas nenhum nome foi revelado. A página oficial do evento soma mais de 1.900 visualizações até a tarde desta sexta-feira (2).

Se mesmo assim não houver lances, o certame entra na terceira e última fase. Nela, serão aceitas propostas mínimas de R$ 1.000. A Positivo Leilões afirma que o valor da venda será utilizado para pagar credores, entre eles ex-funcionários e fornecedores da Pan.

Quem vencer o certame terá à disposição um catálogo de 37 marcas. A propriedade da massa falida da Pan inclui moedas de chocolate, bombons com recheio de conhaque e pipoca coberta com chocolate. Um relatório de avaliação aprovado pela Justiça de São Paulo aponta que o faturamento da marca pode chegar a R$ 51 milhões dentro de cinco anos.

Nos bastidores, a Cacau Show desponta como potencial compradora. A companhia adquiriu em outubro de 2023, também por meio de um leilão, a fábrica da Pan por cerca de R$ 71 milhões. O imóvel está localizado em São Caetano do Sul (SP).

Em 88 anos de história, a Pan lançou chocolates em formato de cigarro, lápis e moeda
Em 88 anos de história, a Pan lançou chocolates em formato de cigarro, lápis e moeda Imagem: Reprodução/Instagram/@oficial_chocolatepan

Pan foi dos "cigarrinhos" à autofalência

Fundada em 1935, a Pan conquistou espaço na memória afetiva dos brasileiros. Ao longo de oito décadas, a empresa de origem familiar lançou chocolates que imitavam lápis e moedas, além de balas e outros tipos de guloseimas.

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O polêmico "cigarrinho" de chocolate, carro-chefe da Pan por décadas, entrou no mercado nos anos 1940. O doce, que estampava o rosto de dois garotos na embalagem, parou de ser fabricado na década de 1990, em meio a uma forte campanha antitabagismo.

Mas a Pan perdeu mercado no final do século passado, com uma presença maior de marcas estrangeiras. Endividada, a empresa fez pedido de concordata preventiva (hoje chamado de recuperação judicial) no início dos anos 2000.

A companhia retomou o fôlego nos anos seguintes, mas por pouco tempo. Novamente afundada em dívidas, a Pan entrou em recuperação judicial em março de 2021.

Quase dois anos mais tarde, declarou autofalência à Justiça com dívidas de cerca de R$ 260 milhões. A lembrança da Pan no imaginário do consumidor é uma aposta do leilão para que os doces da marca sejam resgatados e voltem às prateleiras após o investimento milionário de uma empresa.

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