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Indústria do Brasil cresce mais que o esperado em abril, mas greve vai pesar à frente

05/06/2018 09h02

A produção industrial do Brasil iniciou o segundo trimestre com alta acima do esperado devido ao forte desempenho nos setores de biocombustíveis e automóveis, sinal de fôlego que está em risco após a greve dos caminhoneiros que afetou a economia nas últimas semanas.

Em abril, a produção da indústria cresceu 0,8% sobre março, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (5), melhor resultado desde dezembro (+2,9%) e acima da alta de 0,5% esperada em pesquisa da agência de notícias Reuters com analistas.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve aumento de 8,9%, também melhor do que a expectativa de alta de 7,7% e o resultado mais forte desde abril de 2013 (+9,8%).

"(Abril) foi o primeiro bom resultado de 2018, mas não é suficiente para voltar ao patamar do fim do ano passado", afirmou o gerente da pesquisa, André Macedo. "A greve dos caminhoneiros significa que afeta o processo e o ritmo de produção. Ela vai afetar negativamente, mas o tamanho do reflexo ainda não sabemos."

O destaque em abril foi o aumento de 5,2% na produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. Isso porque as usinas do país, segundo o IBGE, deram preferência pela fabricação do etanol em detrimento do açúcar.

Também ajudou o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias, com aumento de 4,7%, terceiro mês consecutivo de ganhos.

Entre as categorias econômicas, a fabricação de consumos duráveis avançou 2,8% no mês, enquanto a de bens de capital --uma medida de investimento-- subiu 1,4%.

No primeiro trimestre, a indústria cresceu 0,1%, colaborando para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil expandir 0,4% sobre os três meses anteriores.

Mesmo com a inflação e os juros baixos, o cenário no Brasil é de confiança abalada, em um ano de eleição presidencial marcada por incertezas, economia instável, desemprego elevado e, mais recentemente, a greve de caminhoneiros que trouxe desabastecimento de forma generalizada.

"Não se pode imaginar uma nível maior de produção sem o mercado interno atuando de forma mais vigorosa. Isso é fundamental para o aumento do salário impactar o comércio e demandar a indústria", afirmou Macedo.

As contas sobre o crescimento da economia deste ano estão sendo reduzidas pelos analistas para em torno de 2%, sobre cerca de 3% esperados até pouco tempo atrás, e há quem fique ainda mais abaixo.

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