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Petrobras reduz investimentos e corta produção por coronavírus e choque de oferta

Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images
Imagem: Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images

Por Luciano Costa

26/03/2020 08h51

A Petrobras reduzirá investimentos em 2020 para US$ 8,5 bilhões, de US$ 12 bilhões, e ainda cortará gastos operacionais em adicional de US$ 2 bilhões, em medidas adotadas em meio à pandemia do coronavírus e o choque de preços no mercado de petróleo.

Em fato relevante de hoje, a estatal afirmou que também decidiu reduzir a produção de petróleo em total de 100 mil barris por dia (bpd) até o final de março, "em função da sobreoferta" no mercado externo e pela menor demanda global.

"A companhia avaliará as condições do mercado e, em caso de necessidade, realizará novos ajustes na produção de petróleo", acrescentou.

As medidas da Petrobras incluem ainda redução e postergação de gastos com recursos humanos no valor total de R$ 2,4 bilhões.

Em paralelo, a petroleira estatal já havia informado postergação para 15 de dezembro do pagamento de dividendos remanescentes referentes a 2019, antes previstos para 20 de maio.

A mudança de data no pagamento, que somaria R$ 1,7 bilhão para detentores de ações ordinárias e R$ 2,5 milhões para as ações preferenciais, ocorre para "preservação de caixa" em função da pandemia e do choque no mercado de petróleo, segundo a companhia.

A Petrobras disse que a redução de investimentos envolverá principalmente postergação de atividades exploratórias, interligação de poços e construção de instalações de produção e refino, sendo possibilitada também pela desvalorização do real frente ao dólar norte-americano.

Já os cortes de gastos operacionais demandarão hibernação de plataformas em operação em campos de águas rasas, que têm custo de extração mais elevado e passaram a ter fluxo de caixa negativo com a queda dos preços do petróleo.

"A produção atual de óleo desses campos é de 23 mil bpd e os desinvestimentos nesses ativos continuam em andamento", afirmou a empresa no comunicado.

As medidas também incluem menores gastos com intervenções e poços, otimização da logística de produção e postergação de novas contratações relevantes pelo prazo de 90 dias.

"Como resultado da implementação das medidas descritas, a companhia estima que equilibrará seu fluxo de caixa no ano de 2020", apontou a Petrobras.

Os preços do petróleo Brent, referência internacional, acumulam queda de quase 60% em 2020, em meio aos impactos negativos do coronavírus sobre a demanda e a uma disputa por mercado entre Arábia Saudita e Rússia que deve gerar grande sobreoferta da commodity.

CORTES EM RH

Na área de recursos humanos, em que prevê postergar e reduzir gastos no total de R$ 2,4 bilhões de reais, a Petrobras disse que irá adiar o pagamento de programa de prêmio por performance em 2019 e o pagamento de horas-extras.

A companhia também vai adiar recolhimento de FGTS e de gratificação de férias, conforme previsto na medida provisória 927 de 2020.

Presidente, diretores, gerentes executivos e gerentes gerais terão postergação do pagamento de 30% da remuneração mensal.

Processos de avanço de nível e promoção para empregados estão também cancelados.

A Petrobras também irá reduzir em 50% o número de empregados em sobreaviso parcial pelos próximos três meses, além de suspender temporariamente todos treinamentos.

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