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Brasil e México terão déficits imensos devido ao coronavírus, diz pesquisa

Ministro da Economia, Paulo Guedes, no Palácio do Planalto -
Ministro da Economia, Paulo Guedes, no Palácio do Planalto

Por Gabriel Burin

23/04/2020 10h18

As maiores economias da América Latina, o Brasil e o México, provavelmente enfrentarão aumento do déficit este ano dado que os governos são forçados a combater recessões provocadas pela pandemia de coronavírus, mostrou uma pesquisa da Reuters.

Mas qualquer recaída na frouxidão fiscal no longo prazo pode ameaçar a recuperação futura, adicionando um novo risco às preocupações existentes sobre as atitudes do presidente Jair Bolsonaro e seu colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, em relação à emergência global.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuará 2,5% em 2020, de acordo com a mediana das estimativas em uma pesquisa realizada com 45 analistas entre 13 e 21 de abril, afundando novamente a maior economia da América Latina em recessão após três anos de crescimento fraco.

A visão pessimista, um rebaixamento ante uma previsão de expansão marginal de apenas 0,3% em uma pesquisa preliminar no mês passado, agora está associada a temores emergentes sobre o "Orçamento de guerra" de Bolsonaro contra o vírus.

Maiores gastos e menores receitas resultantes da crise reverteriam anos de austeridade e fariam o déficit primário do Brasil subir para 6,0% do PIB, elevando a dívida bruta a um recorde de 85% até o final de 2020, de acordo com as respostas dos analistas a uma pergunta separada.

Autoridades dizem que essas métricas extremas ainda são administráveis, ??e uma maioria de 10 economistas entre 15 na pesquisa concordou em princípio, afirmando que medidas de emergência fiscal, combinadas com cortes na taxa de juros pelo banco central, devem impulsionar o crescimento em 2021.

No entanto, 12 de 14 analistas que responderam a uma pergunta diferente viram riscos para a economia se o país não for capaz de mostrar claramente como vai restabelecer a austeridade quando o pior do episódio do coronavírus terminar.

"Precisamos entender por quanto tempo haverá pausa nas reformas que estavam levando os mercados a precificar mudanças estruturais positivas e qual será o desvio nos gastos", disse Rafael Silotto, gerente de portfólio da Brasilprev.

A mais recente recessão do Brasil, atualmente em seu primeiro e pior trimestre, com uma perda estimada de 5,7% do PIB no período, deve elevar a taxa de desemprego para 13,1% no final do ano, de 11,6% em fevereiro.

No entanto, se o cenário básico se realizar, seria mais brando do que a contração de 2015 e 2016, quando o Brasil enfrentou a mais profunda crise econômica de uma geração em meio a turbulências políticas domésticas.

As tensões relacionadas ao tratamento geral da pandemia são outra fonte de ansiedade, pois Bolsonaro entra em conflito com poderosos governadores estaduais sobre seus planos de reabrir a economia rapidamente, minimizando a doença que ele chama de "gripezinha".

MÉXICO

Assim como Bolsonaro, López Obrador, presidente do México, também foi alvo de críticas por minimizar a pandemia, após suas sugestões iniciais no mês passado de que as pessoas deveriam continuar indo a restaurantes e gastando dinheiro para manter a economia em movimento.

Como no Brasil, as contas públicas do México estão em uma condição delicada. O déficit primário deverá subir para 2,5% do PIB este ano, ante superávit de 1,4% em 2019, enquanto a dívida bruta está prevista em 54% do PIB, cerca de 9 pontos percentuais a mais.

López Obrador "tem uma corda bamba difícil de andar", disse Christian Lawrence, estrategista de mercado do Rabobank. "O estímulo é necessário, mas não pode ser oferecido sem arriscar o rating de grau de investimento do México."

Enquanto alguns dizem que o México está entrando em sua maior recessão desde a chamada "crise da tequila" do início dos anos 1990, ou pior, a pesquisa apontou para uma contração de 5,1%, um pouco menor do que a queda de 5,3% em 2009.