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Auren Energia lucra R$2,45 bi no 4ºtri, busca aquisições e estuda entrar em transmissão

16/02/2023 21h36

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) - A geradora de energia renovável Auren fechou o ano de 2022 com uma conquista histórica ao resolver o imbróglio judicial da hidrelétrica de Três Irmãos, destravando o recebimento de uma cifra importante para que a companhia possa perseguir mais oportunidades de crescimento orgânico, aquisições e gerar mais retorno aos acionistas, disseram executivos à Reuters.

A companhia controlada pelo grupo Votorantim e CPP Investments divulgou nesta quinta-feira um lucro líquido de 2,45 bilhões de reais no quarto trimestre, contra 42,0 milhões de reais registrados um ano antes. No consolidado de 2022, o lucro somou 2,67 bilhões, ante 420,3 milhões em 2021.

Os lucros trimestral e anual foram impulsionados pela contabilização da indenização referente a Três Irmãos, após a companhia ter fechado, em dezembro do ano passado, um acordo com a União para encerrar uma disputa que se prolongava há 10 anos. Em valores corrigidos, a indenização soma 4,2 bilhões de reais e será paga em sete anos, com a primeira parcela prevista para outubro.

Com o fechamento desse caso, o conselho de administração da companhia aprovou nesta quinta-feira o pagamento de 1,5 bilhão de reais em dividendos extraordinários aos acionistas.

A resolução da pendência de Três Irmãos se soma a um desempenho operacional positivo da companhia, que registrou aumentos de geração hidrelétrica e eólica no último trimestre de 2022, levando a uma alta de 51,3% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), a 520,8 milhões de reais no trimestre.

Com baixa alavancagem, de 1,4 vez dívida líquida sobre Ebitda, a companhia segue buscando crescimento via aquisições e desenvolvimento de novos projetos do zero, disse à Reuters o CEO da Auren, Fabio Zanfelice.

Zanfelice não comentou sobre oportunidades específicas de aquisição, mas declarou que a empresa não tem interesse em ativos de pequeno porte, como projetos eólicos abaixo de 150 megawatts (MW) de potência.

"Escala, sinergia de ativos, é importante para crescimento", acrescentando que a companhia também não tem interesse na compra de fatias minoritárias.

No caso de novos projetos próprios de geração, ele lembrou que a companhia está em fase de estruturação de usinas solares de grande porte, Sol do Piauí e Sol de Jaíba. Em sua avaliação, o cenário atual apresenta mais riscos para quem quer lançar projetos do zero, dado o horizonte de preços de energia de longo prazo em baixa e aumento dos custos associados à construção e desenvolvimento de projetos.

ENTRADA EM TRANSMISSÃO

Focada hoje no segmento de geração renovável, a Auren vem há anos estudando uma possível entrada no segmento de transmissão de energia, e acredita que o cenário para este ano apresenta condições favoráveis a um movimento do tipo neste ano.

Segundo Zanfelice, os certames deste ano vão oferecer grandes projetos de transmissão, que proporcionam escala aos operadores. E, por serem projetos com investimentos expressivos, a expectativa é de que menos agentes tenham fôlego para disputá-los, potencialmente reduzindo a competição e os deságios oferecidos.

"De fato, esse é um momento interessante para quem está pensando em entrar em transmissão... Não fechamos nenhuma estratégia (de participar do leilão), mas posso dizer que as condições desse leilão são alinhadas com o que imaginávamos entrar em transmissão, os temas de (taxas de) retornos e escala."

Marcado para 30 de junho, o primeiro leilão de transmissão de energia de 2023 oferecerá ao mercado nove lotes, somando 6,1 mil quilômetros de novas linhas de transmissão e investimentos estimados de 15,8 bilhões de reais.