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Janot fala sobre tratativas do PMDB para impedir avanço da Lava-Jato

Na denúncia apresentada nesta quinta-feira contra o presidente Michel Temer e o chamado "quadrilhão do PMDB na Câmara", o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que articuladores do PMDB no Senado, em especial o senador Romero Jucá (RR), iniciaram em 2015 uma série de "tratativas para impedir que a Operação Lava-Jato continuasse a avançar".


O momento, segundo Janot, era de insatisfação entre o grupo do PMDB e o PT na Câmara. "A crise dentro do núcleo político da organização criminosa aumentava à medida que a Operação Lava-Jato avançava, desvendando novos nichos de atuação do grupo criminoso", escreve o procurador-geral na denúncia. Janot afirma que, como os integrantes do PMDB não lograram êxito em suas tratativas, em março de 2016, o partido decidiu deixar formalmente a base do governo e, em abril do mesmo ano, o pedido de abertura de impeachment da então presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela Câmara dos Deputados.


"A partir daí, houve um rearranjo no núcleo político da organização apenas para se excluir dele os integrantes do PT, sem que isso tenha significado o término das atividades ilícitas por parte da organização criminosa", diz Janot.


O procurador-geral acrescenta que, com a mudança de mãos da cúpula do Poder Executivo federal, houve necessidade de reacomodação dos demais integrantes que permaneceram na organização. Janot ressalta que, depois de assumir a presidência, em maio de 2016, provisoriamente e, em definitivo, em agosto do mesmo ano, Temer "garantiu espaços relevantes aos líderes do PP e do PMDB que já pertenciam à organização criminosa, com destaque ao papel atribuído a Romero Jucá".


Na mesma época, Moreira Franco foi nomeado ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República; Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil; Geddel Vieira Lima, ministro-chefe da Secretaria de Governo; e Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo. "Esses são os articuladores mais próximos de Michel Temer", destacou Janot, na denúncia.


O procurador-geral da República disse ainda que Eduardo Cunha, em razão de seu mandato e da Presidência da Câmara e também da prisão de seu principal operador, Lúcio Funaro, não pode ser indicado a um cargo no primeiro escalão. A partir de maio de 2016, porém, diz Janot, como forma de atenuar isso, Michel Temer, atendendo a pedido de Cunha, fez do deputado André Moura (PSC-SE) o líder do governo na Câmara. "Michel Temer nomeou ainda Osmar Serraglio para o cargo de ministro da Justiça, abrindo espaço na Câmara dos Deputados ao suplente Rodrigo Loures, pessoa da sua estrita confiança", disse Janot. O procurador-geral observou, porém, que, embora não se tenha elementos probatórios da atuação de Rodrigo Loures na organização criminosa antes de 2016, ele sempre esteve muito próximo a Michel Temer.

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