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Ibovespa retoma vigor após realização de lucros; dólar recua

31/01/2018 14h54

O Ibovespa retomou o vigor nesta quarta-feira aproveitando a melhora de humor externo. O índice não apenas recuperou as perdas dos últimos dois dias como renovou a máxima história intraday, ao superar os 86 mil pontos.


Passada a pressão por realização de lucros vinda de fora, investidores voltaram a reagir a fatores positivos como fundamentos da atividade local, expectativa pelos balanços das empresas, cenário político ainda considerado positivo a despeito da pesquisa Datafolha e, em grande medida, os preços mais baixos e atrativos das ações explicam essa alta.


Às 13h45, o Ibovespa subia 1,40% para 85.663 pontos. Em Wall Street, Nasdaq subia 0,50%, Dow Jones avançava 0,71% e S&P ganhava 0,34%.


Chama a atenção o fato de serem as blue chips - Vale ON, Bradesco PN, Itaú ON, Petrobras PN e BB ON - as ações que concentram o volume de negócios. É um sinal de que o investidor voltou a "comprar bolsa" hoje, e não busca apenas oportunidades específicas para aplicar.


A recuperação dos mercados corrobora a tese de que o que se viu ontem - quando o Dow Jones teve a maior queda desde maio - pode ter sido apenas um movimento de correção, e não uma mudança de tendência. Essa leitura, entretanto, será colocada à prova pela decisão do Fed hoje. O consenso é de que o juro será mantido inalterado, mas que a autoridade monetária poderá trazer pistas sobre os próximos passos e também projeções macroeconômicas que confirmem um quadro de recuperação mais firme da economia americana - o que pode voltar a pressionar os juros futuros por lá. A dúvida, portanto, é que efeito essas correções podem provocar sobre a busca por ativos de risco, como as ações.


Aqui, o mercado também segue muito atento ao noticiário político. A pesquisa Datafolha deve, no mínimo, alimentar o debate sobre o tema nas mesas de operação - embora analistas digam que ainda é cedo para tirar qualquer conclusão, uma vez que os candidatos de centro direita sequer estão definidos claramente ainda.


Santander esteve entre as maiores altas do Ibovespa durante parte da manhã e, Às 13h25, subia 2,81%, depois da divulgação do balanço. O lucro líquido gerencial da instituição chegou a R$ 2,757 bilhões no período, alta de 38,4% em um ano. Neste momento, o banco realiza teleconferência com analistas.


A CSN também é um dos destaques do dia (3,79%). Segundo informa "O Estado de S.Paulo", os herdeiros da família Steinbruch, dona da CSN, devem dar início a uma disputa societária que poderá mudar o desenho acionário da empresa. Steinbruch, com o apoio dos irmãos, quer destituir os primos do bloco de controle da Vicunha Steel S/A, controladora indireta da CSN, e não estaria mais disposto a reconhecer o acordo de acionistas em vigor desde 1994.


Eletrobras também sobe com força (3,43%). Ontem, a empresa pediu certificação à B3 para adesão ao programa de governança de estatais.


As quedas no índice são poucas e bem menos intensas. Entre elas, os destaques são Fibria (-1,52%) e Suzano (-1,28%), após dois dias de forte alta. A valorização do real acaba contribuindo também para essa realização de lucros desses papéis.


Dólar


O mercado brasileiro de câmbio volta a se beneficiar da queda global do dólar nesta quarta-feira. Na última sessão do mês de janeiro, a realização de lucros dos últimos dias dá lugar a um impulso para ativos de riscos e divisas emergentes, incluindo a moeda brasileira.


O quadro político ainda traz incertezas para os investidores, mas não a ponto de reverter a tendência positiva registrada após a condenação do ex-presidente Lula. Os candidatos de centro ainda não entusiasmam, como apontado pelo Datafolha mais cedo.


Por outro lado, a consulta mostra que a transferência de votos do ex-presidente para outros nomes foi abalada, o que reitera a redução de riscos em torno de uma reversão da atual direção da política econômica.


Na mínima do dia por aqui, o dólar caiu até R$ 3,1459, menor nível desde que tocou R$ 3,1215 na sexta-feira passada quando os mercados eram amparados pelo pleno entusiasmo com a condenação do ex-presidente Lula.


Às 13h45, a moeda era negociada em queda de 0,46%, a R$ 3,1652.


O contrato futuro para março - o mais líquido a partir de hoje - recua 0,61%, a R$ 3,1626.


Os movimentos são direcionados, em boa parte, pelo bom humor lá fora. Nesta quarta-feira, o WisdomTree Emerging Currency Strategy (CEW) - fundo de índice que mede os retornos de aplicações em moedas emergentes - retoma os melhores níveis desde 2014.


Lá fora, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou um tom menos protecionista em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, aliviando preocupações sobre um endurecimento das relações comerciais.


Além disso, mesmo num ambiente de redução gradual de estímulos, o debate no Banco do Japão sobre uma política ultra flexível alimenta a percepção de que a liquidez global segue ampla. A direção pode mudar ao longo da sessão, entretanto. Hoje o Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária no final da tarde, sob expectativa de indicará seus próximos passos no processo de aperto monetário.


Juros


A última sessão do mês de janeiro retoma o tom positivo que vem marcando este começo de ano para os mercados financeiros. As taxas projetadas pelos contratos de DI voltam a cair nesta quarta-feira, abrindo caminho para nova redução do prêmio de risco embutido ao longo da curva de juros.


O DI janeiro de 2021 é negociado a 8,780%, queda de 3 pontos-base ante o ajuste passado. A tendência de queda fica ainda mais clara ao se observar o movimento ao longo do mês. A baixa é superior a 30 pontos em janeiro até hoje, período que inclui a mínima histórica de 8,690% registrada durante a sessão da última sexta-feira quando o mercado era tomado pelo entusiasmo com a condenação do ex-presidente Lula.


Hoje, foi conhecida a primeira pesquisa eleitoral depois da decisão do TRF-4. A publicação do Datafolha indicou que o petista ainda é um candidato forte em todos os cenários em que participaria da disputa. Esse quadro, entretanto, é considerado menos provável agora. E, ainda conforme a consulta popular, a transferência de votos do ex-presidente para outros nomes foi abalada, o que reitera a redução de riscos em torno de uma reversão da atual direção da política econômica.


O movimento mais positivo nos mercados, sem grandes surpresas na política, se evidencia pela queda da diferença entre juros longos e curtos. A chamada inclinação da curva entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 recua 267,0 pontos base, de 270,5 pontos no fechamento da véspera. Caso essa diferença seja mantida até o fim do dia, o nível volta aos patamares do final de outubro.


Por outro lado, a eleição ainda gera incerteza. Os candidatos de centro, por ora, não trazem grande animação. Além disso, a pulverização dos nomes acentua o ambiente de dúvidas. "Ainda estamos longe das eleições e qualquer pesquisa nesta etapa tem de ser vista com cautela", diz o estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno.

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