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Juros futuros de longo prazo sobem com ambiente externo mais adverso

07/03/2018 17h52

Os juros futuros não saíram imunes do aumento das preocupações no exterior. Embora menos afetadas que outros segmentos de ativos, as taxas mais longas avançaram nesta quarta-feira (7) e ampliaram a distância para trechos mais curtos.


Os riscos de uma guerra comercial voltaram com fôlego ao radar já que a Casa Branca perdeu um dos principais oposicionistas a medidas protecionistas. O banqueiro Gary Cohn deixou o cargo de assessor econômico e, agora, abre espaço para a chegada de um nome mais alinhado à visão restritiva de Donald Trump para a política comercial.


Com o pano de fundo de queda das bolsas e busca por ativos seguros, as taxas projetadas pelos DIs também evidenciaram o ambiente mais adverso de negócios. No fim da sessão regular, o DI janeiro/2023 subiu para 9,160%, ante 9,130% no ajuste anterior.


Nos preços dos ativos, os temores com o cenário americano se somam às preocupações com a situação fiscal do Brasil nos próximos anos. A Selic média projetada pelos contratos futuros de juros ainda paira nos dois dígitos entre 2020 e 2021. Nesse período, é estimada taxa de 10,12%.


É justamente a partir desse período que o teto de gastos ficaria incompatível com a realidade orçamentário do Brasil caso a reforma da Previdência não saia do papel.Nesse cenário mais adverso, todo o aumento de gastos garantido pelo teto seria utilizado para cobrir o déficit previdenciário, sem sobrar espaço para outras despesas. O desequilíbrio macroeconômico também viria na forma de câmbio depreciado, volta da inflação e, consequentemente, juros mais altos.


Para Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management, o nível elevado do juro longo é uma oportunidade de aplicar no mercado. A aposta não é o consenso entre os agentes financeiros. Ainda assim, a leitura de Patah é a de que a Previdência será reformulada com a chegada de um novo governo, depois das eleições de 2018, o que levará a uma eventual queda das taxas.


"O juro longo está muito elevado se partirmos da premissa de que teremos a reforma da Previdência no ano que vem", diz. "Ainda tem prêmio de risco e a oportunidade, agora, é antecipar o movimento que só vem com a eleição", acrescenta.


Juros de curto prazo


Para os juros futuros de curto prazo, as atenções se voltam para questões mais conjunturais, como surpresas com uma inflação mais baixa. A aposta de parte do mercado é de que a taxa básica de juros pode permanecer baixa ou não subir tanto no médio prazo. Isso explica na queda do DI janeiro de 2020, contrato mais negociado do dia, para 7,360% ante 7,390% no ajuste anterior.


Alguns agentes financeiros, inclusive, consideram que a inflação poderia ficar abaixo de 4% no ano que vem, perspectiva que ajudaria a baixar ainda mais a Selic nas próximas reuniões do Copom. Nesta sexta-feira (9), os dados de IPCA de fevereiro devem colocar essa leitura à prova, já que algumas casas esperam resultado de apenas 0,30% na inflação do mês.


Com isso, os trechos mais curtos revelaram resiliência ao ambiente externo mais duro. O DI janeiro/2019 caiu para 6,445% (6,460% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 cedeu a 7,370% (7,390% no ajuste anterior) no fim da sessão regular.O DI janeiro/2021 marcou 8,290% (8,280% no ajuste anterior).

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