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Incerteza na cena política pesa nos juros e no dólar; Ibovespa recua

09/04/2018 13h35

O Ibovespa não conseguiu acompanhar a recuperação das bolsas americanas e opera no campo negativo. Segundo operadores, após tantos ajustes nos preços na semana passada, faltam notícias que justifiquem ganhos adicionais neste momento.Às 13h24, o Ibovespa caía 1,19%, para 83.808 pontos.

O quadro político segue incerto, sem sinais de força de um candidato que represente os anseios do mercado; e os dados de atividade confirmam que há uma recuperação num ritmo mais lento do que o esperado. Elementos que impedem o avanço dos preços para além do nível atual.

Um assunto que continua no foco do mercado é a substituição de Paulo Pedrosa por Moreira Franco como ministro das Minas e Energia. Na visão dos profissionais, a substituição de um nome técnico por um político enfraquece a expectativa da privatização da companhia e também da reforma do setor como um todo.

Em resposta, Eletrobras ON cedia 5,81% e Eletrobras PNB recuava 4,19%. Cemig PN perdia 0,97%.

Petrobras, que iniciou a sessão em alta, passou a cair - a ação ON declinava 1,74% e PN perdia 1,55%.

Câmbio

O dólar começa a semana engatando a sexta alta consecutiva, com a taxa no mercado futuro já operando acima de R$ 3,40, à medida que o noticiário político adiciona mais incerteza aos cenários de investidores.

O movimento coloca o real novamente em destaque negativo nos mercados globais de câmbio, junto com outros emergentes, como rublo russo e rand sul-africano. A moeda brasileira já perde quase 3% em abril, segunda maior queda, atrás apenas da divisa russa.

A despeito da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reduz sensivelmente as chances do petista de concorrer às eleições, a reação do mercado tem sido a de embutir mais prêmio de risco nos ativos. Analistas destacam que pesa cada vez mais a percepção de que a campanha eleitoral corre o risco de ficar ainda mais fragmentada, cenário que dilui votos e torna mais imprevisível o desempenho de candidatos de centro-direita, vistos como pró-reformas.

Mesmo com Lula preso, os desdobramentos de pedidos de liminar ao STF ainda são um ponto de atenção de investidores. O ministro Marco Aurélio levará ao plenário da Corte pedido de liminar para suspensão de prisões em segunda instância. Uma decisão favorável do STF beneficiaria Lula.

Às 13h29, o dólar comercial subia 1,11%, a R$ 3,4044. Na máxima, foi a R$ 3,4054, maior patamar desde 18 de maio do ano passado (R$ 3,4083).

No mercado futuro, o dólar para maio ganhava 0,84%, a R$ 3,4015.

Juros

Os juros futuros enfrentam mais uma sessão de alta nesta segunda-feira, em meio a incertezas no campo político. Profissionais de mercado apontam que a cautela com o quadro eleitoral justifica a recomposição do prêmio de risco, principalmente em vencimentos intermediários e mais longos.

Até por isso, não se espera que o mercado "revisite" mínimas tão cedo. Este é o caso do DI janeiro de 2021, que caiu pontualmente abaixo de 8% no fim de março. No entanto, o nível não se sustentou desde então, em meio ao vaivém em Brasília e do aumento das preocupações com uma guerra comercial no exterior.

Isso porque os candidatos reformistas ainda não geram confiança nas pesquisas de opinião. Ao mesmo tempo, teme-se pela governabilidade no caso de vitória de "quase reformista" ou um nome pouco tradicional da política. Esses candidatos são aqueles que defendem as reformas, mas levantam dúvidas sobre seu comprometimento ou capacidade de tocar essas pautas no Congresso.

Agentes financeiros comentam que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas reduz parte das indefinições do quadro eleitoral. Ainda há dúvidas sobre os herdeiros dos votos que iriam para o petista. Apesar da instabilidade nos mercados, em decorrência da política, não se espera uma reação "explosiva" das taxas no curto prazo.

Às 13h31, o DI janeiro/2021 era negociado a 8,140% (8,090% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 apontava 9,200% (9,150% no ajuste anterior).

Entre os vencimentos mais curtos, os indicadores de inflação que serão divulgados nesta semana devem reiterar o espaço para o corte da Selic em maio. Hoje, o IGP-DI de março acelerou para 0,56%, ante a alta de 0,15% no mês anterior. Amanhã é a vez do IPCA

O DI janeiro/2019 operava a 6,260% (6,255% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 apontava 7,110% (7,080% no ajuste anterior).

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