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REPORTAGEM

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Cabines blindadas e pilotos armados: como o 11 de Setembro mudou a aviação

Aviões atingem o World Trade Center durante atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001 nos EUA - Sean Adair/11.set.2001/Reuters
Aviões atingem o World Trade Center durante atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001 nos EUA Imagem: Sean Adair/11.set.2001/Reuters

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/09/2021 04h00

Os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas e o Pentágono (EUA) completam 20 anos neste sábado, e mudaram de forma profunda e permanente a aviação. Diversos procedimentos de segurança passaram a ser adotados, e não apenas no país norte-americano, mas no mundo todo.

Mudanças que vieram para ficar, como o limite para embarcar com líquidos e a presença de pilotos armados a bordo.

Nos EUA, na sequência dos atentados, foi criada a Administração para a Segurança dos Transportes (Transportation Security Administration - TSA, na sigla em inglês). Esse órgão criou e adaptou diversas medidas de segurança, muitas das quais se espalharam pelo mundo inteiro.

Aviões viraram bombas

De acordo com Shailon Ian, CEO da Vinci Aeronáutica, os ataques de 11 de Setembro foram diferentes de todos os problemas enfrentados pela aviação até então.

"Foi muito inusitada a maneira como atacaram a maior economia do mundo. Até então, a aviação teve casos de sequestro, um evento ou outro isolados. Mas ninguém tinha usado vários aviões como bomba", diz o engenheiro.

Ainda segundo Ian, logo após os atentados, o que ocorreu foi a introdução de uma série de procedimentos e de modificações nas aeronaves para evitar que episódios semelhantes voltassem a acontecer.

"Uma das primeiras coisas implementadas foi o reforço da porta da cabine de comando, que, agora, só abre por dentro e pode-se até atirar contra ela que não é possível sua abertura. Isso evita que algum terrorista possa entrar ali e assumir o controle do avião", afirma.

Veja a seguir algumas das principais mudanças no mundo da aviação após os atentados que marcaram o mundo, sejam procedimentos novos ou reforço de práticas de segurança já existentes.

Inspeção rigorosa

Raio x - iStock - iStock
Inspeção de bagagens nos aeroportos passou a ser mais criteriosa após o 11 de Setembro
Imagem: iStock

Com a criação da TSA, foi determinado que 100% das bagagens despachadas fossem inspecionadas por funcionários federais. As portas das cabines de comando dos aviões também passaram a ser reforçadas, algo que se expandiu para outros países.

Junto a isso, o procedimento de embarque se tornou mais rigoroso, aumentando o tempo e o critério de inspeção nas máquinas de raio-X. Se antes eram procuradas apenas drogas, a partir de então, a busca por materiais perigosos se tornou intensa.

Pilotos armados

Pilotos - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Piloto durante voo noturno
Imagem: Reprodução/Instagram

Além do reforço da porta das cabines de comando, pilotos e outros membros da tripulação de aviões que operam nos EUA passaram a ser treinados para poder usar armas de fogo em serviço. A medida, oficializada em 2003, visa a combater o terrorismo e outros atos de violência, mas os tripulantes não são obrigados a aderir à iniciativa.

A medida, chamada de FFDO (Federal Flight Deck Officers - Agentes Federais de Cabine de Comando, em tradução livre), incentivou a criação do programa de treinamento de defesa pessoal de tripulantes a partir de 2004, onde outros funcionários a bordo dos aviões se preparam para situações específicas, como uma tentativa de sequestro.

Líquidos restritos

Líquido - Thinkstock - Thinkstock
Líquidos acima de um certo volume não podem ser transportados em voos
Imagem: Thinkstock

Após uma tentativa de terroristas de detonarem explosivos líquidos em voos partindo da Inglaterra para os EUA e Canadá no ano de 2006, o TSA proibiu géis, sprays e qualquer tipo de líquido nas bagagens de mão dos passageiros. Esses materiais estavam disfarçados como bebidas, e, quando combinados, teriam capacidade de causar danos sérios aos aviões.

O plano foi descoberto devido às medidas mais rígidas de inspeção e investigação implementadas após o 11 de Setembro de 2001. Cerca de um mês após o banimento total, a regra foi alterada, passando a permitir quantidades menores de líquidos a bordo.

Por isso, até hoje, é preciso descartar aquela garrafinha de água ao passar pelo raio-X dos aeroportos.

Eletrônicos fora da mala

Ao passar na inspeção dos aeroportos, é comum pedirem para tirar os notebooks de dentro de mochilas ou malas. Isso aconteceu após serem identificados explosivos disfarçados dentro destes dispositivos.

Atualmente, muitos aparelhos de raio-X conseguem identificar essas ameaças sem precisar abrir a mala. Ainda assim, é comum ter de exibir os eletrônicos antes do embarque.

Malas solitárias

mala - Yousef Alfuhigi/Unsplash - Yousef Alfuhigi/Unsplash
Malas despachadas são retiradas caso o passageiro não embarque no avião
Imagem: Yousef Alfuhigi/Unsplash

Se um passageiro despacha a bagagem, mas não embarca no voo, sua mala deve ser retirada do avião. Isso, muitas vezes, atrasa a decolagem, pois as equipes de solo têm de procurar uma a uma qual a mala daquela pessoa, mas é por questão de segurança.

Um dos motivos é que poderia ser enviada uma bomba naquela bagagem. Essa regra é tão rígida em alguns países, que um voo da Norwegian Air em 2017, de Londres (Inglaterra) para Boston (EUA) teve de fazer um desvio de emergência para a Irlanda, já que havia uma mala a bordo sem seu dono estar no avião.

Outras iniciativas

O estado de vigilância permanente que passou a tomar conta da aviação após os atentados de 11 de Setembro foram responsáveis por outras alterações que transformaram o modo de voar.

A exigência ocasional de retirar os sapatos ao passar pela inspeção nos aeroportos, por exemplo, ocorreu após o inglês Richard Reid ter sido preso em dezembro de 2001 tentando detonar explosivos em seu tênis durante um voo entre Paris (França) e Miami (EUA).

Até mesmo Celso Lafer, então ministro das Relações Exteriores do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), precisou tirar os sapatos durante uma visita oficial aos Estados Unidos em janeiro de 2002. À época, essa atitude gerou críticas, já que o político teria imunidade diplomática, mas, ainda assim, não ficou isento de realizar o procedimento.

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