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Transformar ideias criativas em ideias lucrativas

Marco Roza

Marco Roza

Colunista do UOL, em São Paulo

Você já deve ter ouvido falar do imenso potencial da economia criativa. No Brasil, o tamanho desse segmento impressiona.

Dados do Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que os setores criativos movimentaram, em 2010, R$ 104,37 bilhões no Brasil, o que corresponde a 2,84% do PIB (Produto Interno Bruto).

O setor cresceu a uma taxa média 6,3% entre 2005 e 2010. É mais do que a média de crescimento do próprio PIB, de 4,3% no período. Mas, como os dados se referem apenas a empresas formais, os números podem ser bem maiores.

Porque ideias criativas se transformam em ideias lucrativas quando nos ajudam a superar paradigmas e burocracias.

O que você pode fazer

Mas como transformar suas ideias criativas (que com certeza são muitas) em ideias que gerem lucros para você e seu empreendimento e, portanto, ser acionista de alguma ideia lucrativa?

Talvez ao nos valermos de nossa intuição, concordemos que estamos numa transição entre a economia industrial, com planejamento e disciplinas rígidas, com grandes doses de capital investido, com acordos que envolvem toda a cadeia produtiva, com alianças entre fornecedores e produtores.

Esses últimos que os ajudam a impor suas mercadorias goela abaixo do mercado consumidor.

Ao mesmo tempo, a economia criativa já pipoca em nosso ambiente, como cogumelos que se reproduzem a partir do quase nada. Desenvolvendo um novo ambiente gerador de riquezas que gera ganhos concretos, dinheiro e lucro, ao combinar ideias e criatividade.

Que aposta no diálogo e na intensidade do debate, como geradores de cenários que se transformam em mercadorias com designs valorizados pelos consumidores.

Com funcionabilidades que agregam alegria e prazer ao usuário final. A economia criativa que disputa espaços com a economia industrial e convencional, acredita em bancos de talentos em vez de investimentos capitalistas, apenas.

Se você é (ou quer ser) um empreendedor que tem mais talento que capital, a escolha natural é a economia criativa. O que não resolve a imensa barreira de transformar ideias criativas em ideias lucrativas.

Vamos, portanto, refletir sobre essas dificuldades que desafiam a criatividade desde a semente inicial de pensar a empresa. Enquanto você ainda está no conforto de um emprego ou pode contar com alguma reserva para suportar a pressão das contas que insistem sempre em incomodar.

Cenário 1 – A ideia é criativa quando...

...Quando ajuda a superar com custos mais baixos as dificuldades atuais sugeridas pelas empresas convencionais no mercado.

E ao mesmo tempo se alimenta da infraestrutura existente e a ajusta para realidades expandidas, que atendam satisfatoriamente novos consumidores.

Exemplo: só faz sentido o telefone móvel se existir antes grande número de usuários de telefonia fixa buscando o conforto de um celular.

Nesse contexto, o celular é uma ideia criativa natural. Mas só vai existir como uma ideia lucrativa se resolvermos os gargalos tecnológicos. Que sustentariam, como hoje podemos avaliar numa análise reversa, o desenvolvimento da indústria dos celulares.

Cenário 2 – A ideia é lucrativa quando...

...Quando contagia (com pouco esforço) grandes setores do mercado consumidor. Por exemplo, o celular a partir de sua realidade, contagiou o mundo e motivou grandes contingentes de novos consumidores a enfiar a mão no bolso.

Da mesma maneira, as redes sociais, que começaram com os antigos BBS, se tornaram parte das vidas das pessoas, depois viraram e-mails, depois se metamorfosearam em Orkut, Facebooks etc.

E o melhor, ajudaram a criar um conceito de satisfação pessoal sem custos para o usuário final.

Cenário 3 – Avançamos quando combinamos Cenário 1 com Cenário 2

Como potenciais empreendedores criativos ampliaremos nossas chances de passar a dirigir empreendimentos lucrativos quando aprendemos a combinar o Cenário 1 com o Cenário 2.

A grande mágica criativa depende, portanto, de uma combinação de talento, de iniciativa, de se jogar nos ambientes incertos mas desafiadores à nossa frente. Claro, com boas doses de sorte.

Pois sem sorte, toda a criatividade desanda em prejuízo, em vez de ganhos para sua empresa e para a coletividade. 

Marco Roza

Marco Roza é diretor da Agência Consumidor Popular e estrategista de novos negócios.
E-mail: marcoroza@mdm.com.br

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