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Frutas vermelhas chegaram ao sul de MG na década de 50

José Bonato

Do UOL, em Ribeirão Preto (SP)

As amoras-pretas e as framboesas estão adaptadas à Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, desde a década de 50. Segundo Rafael Pio, professor da Ufla (Universidade Federal de Lavras), as frutas foram introduzidas na região por austríacos, que produziam doces caseiros com as frutas.

A produção comercial, no entanto, começou a ser mais explorada a partir de 2009, quando a Ufla e a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais) passaram a divulgar as frutas entre os produtores locais.

A universidade, segundo ele, passou a fornecer mudas de qualidade e adaptadas às condições da região, além de recomendar as variedades mais produtivas e demonstrar técnicas de condução e de poda das plantas.

A Emater vem oferecendo assistência técnica para a instalação dos pomares. "Nossa ideia é a de buscar um desenvolvimento sustentável e eficiente", afirma Luís Cláudio Nimtz Rodrigues, 41, agrônomo da Emater.

Os 300 hectares cultivados com amoras-pretas e framboesa no sul de Minas, segundo os técnicos, têm potencial para triplicar de tamanho nos próximos anos.

É preciso, segundo o professor da Ufla, que os produtores se associem para obter um sistema de conservação dos frutos em baixas temperaturas, pois são muito sensíveis ao calor. Alguns produtores possuem câmaras frias, que chegam a custar R$ 20 mil.

O cultivo de framboesas e amoras é feito em pequena escala nas propriedades, segundo o agrônomo da Emater. Para cada hectare de pomar, é necessário o trabalho de oito pessoas para tratos e colheita, o que constitui um obstáculo devido aos custos da mão de obra.

"Na Europa existe a colheita mecanizada, mas não sei se daria certo no Brasil, porque lá o clima é mais definido e a maturação [das frutas] é mais homogênea", diz Rodrigues.

Os pés de amora-preta e de framboesa são trepadeiras com espinhos e exigem podas de condução e drásticas no inverno (framboesa) e no verão (amora). Pomares sem manutenção podem se tornar inacessíveis devido aos espinhos.

Segundo cálculos de Pio, para o cultivo de um hectare (10 mil metros quadrados) de amora é necessário investir R$ 20,8 mil, com retorno previsto a partir do segundo ano.

Já a implantação de um pomar de framboesa da mesma dimensão custa R$ 39,4 mil, com retorno previsto a partir do terceiro ano.

A produção das frutas vai depender da escolha da variedade. A amora-preta da variedade brazos rende 25 toneladas por hectare, já a tupy, a mais cultivada, gera 17 toneladas por hectare. Os principais cultivares de framboesa são heritage (que rende dez toneladas por hectare) e batum (12 toneladas por hectare).

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