PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Mídia e Marketing

Três lições para "errar pequeno e acertar grande"

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Douglas Nogueira

Douglas Nogueira

Estrategista de profissão, professor nas horas vagas, apaixonado pelo processo de aprendizagem. Já trabalhou com grandes contas como Honda Automóveis, Vivo, P&G e Sadia. Atualmente, é diretor de grupo e cuida de marcas como os Postos Ipiranga na agência Talent Marcel.

30/10/2020 04h01

A palavrinha que hoje permeia o marketing é growth hacking. Só existe crescimento exponencial com uma cultura de inovação forte, mas como garantir um espaço em que as pessoas podem errar e ao mesmo tempo ser eficiente?

Isso tem menos a ver com o que você aprendeu e mais com sua capacidade de aprender coisas novas.

Isso me leva ao tema das pessoas. E por falar delas, nunca estivemos tão condicionados por recompensas imediatas.

No final, ao falar delas, estamos falando de nós mesmos. Na era dos biscoitos, vamos programando nossa vida, quase sem perceber, com o objetivo de conquistar essas gratificações instantâneas em uma espécie de "gamefication" da vida real.

Em alguns casos, a busca por essa compensação chega a determinar nossa rotina, nosso lazer e todas as decisões sobre quais experiências vamos ter.

Como, por exemplo, decidimos fazer uma viagem em função daquela foto, ou de vivermos montando cenário para acompanhar o próximo hit do TikTok. Parece familiar?

Mesmo que não exista um botão de like, ele está lá onipresente. Em uma dinâmica quase que adolescente de se inserir em um grupo ou rede de pessoas que, ao contrário do que se possa imaginar, não nos distingue, mas nos iguala.

Um padrão infantil que parece nos idiotizar, mas que parece ter um feitiço que nos mantém nele.

A busca pela "cenourinha"

Apesar dessa busca pela "cenourinha" imediata parecer inofensiva, ela parece ir contra tudo que diz respeito de uma vida plena ou minimamente saudável.

Em um piscar de olhos, mesmo se achando no controle, de repente nos damos conta do quanto esse vício tem influenciado nas nossas pequenas decisões ao longo do dia.

Para piorar, parece que esse hábito nos torna destreinados para lidar com experiências que requerem mais dedicação em que as recompensas surgem em médio e longo prazo. Ironicamente, com o perdão do clichê, mas não é justamente na jornada que reside o que faz tudo valer a pena? Basta consultar o monge mais próximo de você.

Minha geração não é nativa digital e, quando a internet, "ainda era mato", vivíamos mais próximos de uma cultura de busca por recompensas que exigiam mais.

Não que isso tenha feito minha geração melhor: ao contrário, quando a chavinha das plataformas sociais virou, muitos sentaram em cima dos status e títulos conquistados e começaram a brincar nesse parquinho ou melhor cassino.

As lições de se aprender a tocar violão

Um dia desses, resolvi aprender a tocar violão e percebi o quanto estava despreparado para lidar com desafios que requerem esforço sem recompensa imediata.

Eu nunca havia pegado em um violão na minha vida. De repente, me deparei com um desafio que requer um enorme esforço e pouco estímulo inicial.

Me dei conta que mesmo sabendo que aprender um instrumento musical é como aprender uma nova língua, inconscientemente meu cérebro esperava ter resultados rápidos. A consequência? Uma frustração e vontade de não seguir em frente enorme.

Não tem atalho para aprender violão. Não tem atalho para imergir em uma experiência que faz tudo valer a pena, mas estamos condicionados a viver das migalhas da vida conectada nas plataformas sociais.

Resolvi insistir para ver onde daria e usar meu exemplo de curva de aprendizado para fazer essa reflexão sobre os desafios do aprender atualmente.

Algumas descobertas se apresentaram nesse processo e me fizeram pensar sobre o processo de aprendizado, principalmente quando lidamos com problemas complexos.

Curva de aprendizado

Com alguns pequenos progressos, percebi que problemas difíceis parecem intransponíveis de largada, mas que com alguma insistência a mágica acontece e o que parecia impossível se torna banal. O ponto é que o processo não pode ser interrompido no início.

O professor virou aluno

Batendo um papo com o meu professor de violão, ele me contava o quanto para ele era difícil tirar uma música nova com uma complexidade acima do seu repertório. Que o processe de aprendizado para ele era muito similar ao meu processo. Isso me fez pensar o quanto paramos de aprender só por achar que já sabemos o suficiente.

Abraçar o processo

Minha última reflexão tem a ver com o quanto me dedicar a aprender algo do zero tem melhorado a minha qualidade de vida e isso não tem a ver com o fato de eu ter aprendido, mas simplesmente por estar tentando. Sinto que faço algo inteiramente por mim e isso me dá uma sensação de paz incrível.

Obviamente, aqui falo por mim e tiro conclusões a partir do meu exemplo individual. Cada jornada é única e com certeza existem outros caminhos, mas achei que deveria compartilhar essa minha experiência para provocar essa reflexão de que talvez estejamos vivendo um momento inerte, anestésico, zumbie.

Afinal, não há atalhos para desafinados. Agora, obter sucesso em uma empresa hoje tem menos a ver com a nossa bagagem e muito mais com a nossa capacidade de aprender algo novo. Isso é altamente inclusivo e nivelas as empresas por cima.

Mídia e Marketing