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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lucro da Arezzo salta 229% em 1 ano; especialista analisa se vale investir

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Márcio Anaya

Jornalista especializado em Economia, com pós-graduação em Mercado de Capitais pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – USP. Trabalhou como repórter e editor de companhias abertas por cerca de 20 anos, integrando as redações da Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Atua desde 2018 como colaborador de portais de investimento e entidades sem fins lucrativos

Colaboração para o UOL, de São Paulo

31/05/2022 09h00

Esta é uma versão online resumida da edição desta semana da newsletter A Companhia, que analisa se é o momento ou não de comprar ações da Arezzo e pontos positivos e negativos da empresa. Na newsletter completa, apenas para assinantes, veja perspectivas da empresa, para qual perfil é indicada, se ela está barata e quais os valores de compra e venda recomendados. Para assinar o boletim semanal e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

O destaque da semana na newsletter A Companhia é a Arezzo&Co, selecionada por Lívia Rodrigues, analista de research da Ativa Investimentos.

Segundo ela, a empresa vem apresentando resultados robustos e que comprovam sua estratégia de se tornar uma plataforma de marcas.

No início de maio, o grupo divulgou um lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 98 milhões no primeiro trimestre de 2022, volume 229% maior em relação a igual período do ano passado.

Após valorização de quase 14% em 2021, os papéis da Arezzo (ARZZ3) acumulam ganho de 4% neste ano, até o dia 25 de maio, conforme dados da plataforma de informações financeiras Economatica.

Saiba mais sobre a Arezzo

Trata-se de uma das principais empresas do setor de consumo cíclico no segmento de calçados, contando com um portfólio diversificado de marcas (Arezzo, Schutz, Vans e Anacapri, entre outras). Após recentes aquisições, o grupo agora atua também no segmento de vestuário.

A compra da operação da Vans no Brasil, no fim de 2019, proporcionou ganhos participação de mercado e visibilidade para a marca, refletindo o bom desempenho dos administradores, diz a Ativa.

Mais recentemente, a companhia adquiriu as marcas Reserva -referência no mercado de moda masculina-, MyShoes, Baw Clothing e Carol Bassi, reforçando sua estratégia de se tornar uma plataforma mais ampla e atingindo um mercado potencial maior.

Por que as ações da Arezzo são uma oportunidade para investir?

Lívia avalia que, em momentos de crise como o atual, empresas expostas a um público de alta renda sofrem impacto menor em relação às demais, por causa da capacidade de repassar custos.

"Além disso, acreditamos que a companhia será capaz de continuar expandindo suas margens de lucro por meio da alavancagem operacional."

A Arezzo também vem apresentando uma transformação digital surpreendente, com uma boa estratégia de comunicação por diferentes canais, fruto de uma transferência de tecnologia com a Reserva, destaca a especialista.

"Além desses fatores, vemos a reestruturação nos Estados Unidos já apresentando resultados positivos, com uma melhor otimização do portfólio."

Pontos a favor

  • Um dos pontos mais fortes da companhia é sua resiliência. Com foco no público de alta renda, sua demanda acaba sendo menos afetada por fatores como inflação, juros elevados e aumento do desemprego. Tal característica também favorece a rentabilidade, já que esse cliente é menos sensível a repasses de custos;
  • As últimas aquisições (Reserva, MyShoes, Baw e Carol Bassi) permitirão o aumento do portfólio de marcas da Arezzo, viabilizando a atração de clientes que antes não eram alcançados - como o público masculino - e uma exposição maior ao varejo de vestuário;
  • Cerca de 90% da produção da Arezzo é terceirizada, além de suas franquias e multimarcas serem muito mais representativas dentro do número de lojas. Apesar de fabricar uma parte muito pequena dos seus produtos, a empresa participa da compra dos insumos utilizados pelos fornecedores e, com isso, exerce poder de barganha e garante a qualidade da matéria-prima.

Pontos contra

  • Por não ter ainda grande experiência no varejo de vestuário, a companhia pode encontrar obstáculos para executar sua estratégia nas marcas Reserva e Schutz;
  • Sua plataforma eletrônica ZZ MALL (marketplace) demanda certo investimento na estrutura da cadeia de suprimentos, e eventuais dificuldades com as entregas podem complicar os planos da empresa, tanto de crescimento digital quanto de expansão no mercado doméstico;
  • Os benefícios fiscais de ICMS concedidos à companhia em alguns estados têm validade até dezembro deste ano, apesar de os analistas da Ativa acreditarem que serão renovados.

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