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Consórcio de imóvel: cuidado para não entrar em uma furada

Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

09/06/2020 04h00

A sensação de segurança e conforto da casa própria motiva milhares de brasileiros a comprarem o primeiro imóvel o mais rápido possível. O problema é que muitas vezes a grana fica curta para esse objetivo e aí aparece uma solução ótima para resolver esse problema, fazer um consórcio.

O consórcio nada mais é do que um grupo de pessoas que deseja adquirir um mesmo bem, no caso desse texto, irei focar na casa própria. Para isso, todos os meses os membros pagam uma mensalidade para contribuir com essa aquisição e a cada mês um integrante é sorteado e contemplado com uma carta de crédito para essa compra.

Acelerar o processo

Quem deseja acelerar o processo de esperar e contar com a sorte, pode fazer a oferta de um lance para adquirir sua carta de crédito mais rapidamente. O que acontece com esses lances é que várias pessoas enxergaram isso como uma oportunidade de negócio e, assim, tornam-se quase profissionais do consórcio.

Algumas pessoas entram nesse negócio já com dinheiro em mãos para darem lances e conseguirem a carta mais rapidamente. As cartas de crédito não obrigam ninguém a usá-las com algo específico, como uma casa. Elas apenas devem ser usadas na mesma categoria do bem desejado, como aquisição de um imóvel comercial, um terreno, construir, fazer reformas ou até mesmo quitar um financiamento, por exemplo.

Então, quem entra em um consórcio com a ideia de dar um lance e pegar esse crédito, consegue vender por fora e ainda ganha um bom dinheirinho com esse ágio. Já quem entrou no consórcio pagando as parcelas regularmente e conta apenas com a sorte de ser o sorteado do mês, vai ter que esperar cada vez mais para realizar seu sonho e pode demorar algumas décadas para isso acontecer.

Juros e taxas

O consórcio não cobra juros, porém cobra uma taxa de administração que é paga mensalmente na parcela. É mais baixa do que taxas cobradas em financiamentos, mas com o passar do tempo torna-se um valor significativo.

O que acaba pesando no consórcio é o valor da carta de crédito, que precisa ser reajustado conforme a inflação. Isso significa que os valores das parcelas podem ser aumentados e você terá que desembolsar uma quantidade maior para continuar pagando seu consórcio em dia.

Mais gastos

Além da parcela do consórcio, se no meio do caminho quiser sair dele, pode perder parte do dinheiro que já colocou lá. Vale lembrar que você pode estar pagando aluguel até ser sorteado e vai acabar deixando as suas finanças bem apertadas.

O consórcio é um ótimo negócio se você for contemplado logo no início, a taxa de administração pode ser comparada aos juros do financiamento e nesse caso ela é bem mais barata. O problema é que contar com a sorte para isso acontecer não é a melhor das estratégias.

Também tem que pensar que nossa vida muda constantemente e que hoje está tudo bem pagar um valor predeterminado no seu consórcio, mas amanhã as coisas podem mudar, sua vida pode passar por transformações e você ainda terá que continuar arcando com o mesmo valor.

Existem outros meios

O que recomendo sempre é que você use os juros a seu favor, por meio dos investimentos, para pagar o máximo possível da sua casa à vista. O valor que iria pagar para o consórcio, você mesmo pode investir por conta própria em algo que vai render mais, sem intervenções e cobranças de taxas.

Se faltar dinheiro para isso, aí sim procure outros meios para conseguir fazer sua aquisição. O importante é ter domínio das suas contas e compras e não ficar refém de prestações e juros por anos a fio.

Descomplique: Investir em franquia é um bom negócio?

UOL Notícias

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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