PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Descomplique

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Parcelar em 12 vezes e outras coisas que faço como educadora financeira

MaxPixel/Creative Commons
Imagem: MaxPixel/Creative Commons
Conteúdo exclusivo para assinantes
Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

28/04/2022 04h00

Quando falo que sou educadora financeira sempre surgem diversas dúvidas em relação ao modo como cuido das minhas finanças e administro meus investimentos. Muita gente se surpreende com algumas das ações que tomo em relação a alguns desses assuntos. Separei situações que não são tão óbvias, mas são capazes de fazer você cuidar muito melhor das finanças.

Gasto menos do que ganho

Provavelmente você já trabalhou em outros lugares e recebia menos do que ganha hoje com o seu trabalho atual, certo? Foi aumentando de posição e seu salário acompanhou isso. Por que anteriormente você conseguia viver com aquele salário mais baixo e hoje, que ganha mais, não pode?

Sei que parece ser clichê quando falamos de planejamento financeiro, mas é o que faz a diferença entre fechar o mês com dinheiro investido ou acabar no vermelho. Se você gasta tudo o que ganha e muitas vezes chega a ultrapassar esse valor, infelizmente, não existe milagre que vai transformá-lo em uma pessoa rica e próspera.

Um dos segredos de quem tem dinheiro guardado é este: viver como se recebesse menos e dessa forma poder investir todos os meses. Caso contrário, você constantemente precisará aumentar sua renda apenas para pagar pelas contas que já fez e não para crescer na vida.

Sempre que posso, pago em 12 vezes

Quando vou efetuar uma compra, principalmente quando ela tem um valor mais elevado, penso em quanto posso me descapitalizar naquele momento, ou seja, tirar dinheiro da minha conta, do meu dia a dia para pagar por algum bem ou serviço. Para isso valer a pena, tenho que ter um desconto no valor total da compra. Se o desconto for de 10% e aquele valor não for fazer falta nas minhas contas, eu pago à vista.

Caso contrário, se o valor à vista não tiver nenhum desconto ou vantagem e o parcelamento não cobrar juros, parcelo no máximo possível de vezes. Vários estabelecimentos, ao invés de perderem 100% de uma compra, preferem oferecer a opção de parcelamento no cartão de crédito sem juros ao cliente, tomando para si o desconto do valor dos juros cobrados pela operadora.

Não existe nenhum problema em parcelar suas compras se você é uma pessoa organizada financeiramente e não faz uso direto desse tipo de pagamento. O problema ocorre quando para qualquer gasto você passar seu cartão e parcelar tudo. Sem juros não é a mesma coisa que sem controle.

Nunca vejo meus investimentos

Se você me perguntar agora quanto eu tenho de dinheiro investido e quanto ele está rendendo este mês, minha resposta é: não sei! Não costumo acompanhar meus investimentos, não fico procurando pelas oscilações diárias da Bolsa e muito menos quanto tal ação me pagou de dividendos este mês.

Quando invisto, escolho todos os meus investimentos por objetivos e fundamentos. Cada ação, fundo imobiliário e título do Tesouro Direto que escolho, faço um bom estudo antes para saber como está a empresa, quais os diferenciais dela, quais as metas para o futuro, e depois de me certificar de que estou escolhendo o melhor investimento para mim naquele momento, não vejo mais sentido em ficar acompanhando diariamente pequenas mudanças que possam ocorrer no mercado.

Ficar acompanhando os investimentos com frequência pode acabar gerando uma ansiedade enorme, uma vez que você vai passar a se questionar se realmente tomou a melhor escolha com os seus investimentos e aí escolherá pelo pior: vender seus ativos mesmo que tenha prejuízo. Se você escolheu bem seus investimentos, acredite neles e vá ser feliz longe dos números da Bolsa.