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Erros de quem está começando a investir no Tesouro Direto

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Imagem: Reprodução/digitalconsulte
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Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

13/04/2022 04h00

O Tesouro Direto é a porta de entrada de muitos investidores no mercado financeiro. Aliando facilidade, rentabilidade e baixo custo, hoje existem poucas alternativas mais vantajosas que o programa do governo federal para quem está iniciando nesse mundo.

Porém, é muito comum cometermos alguns erros que podem comprometer a rentabilidade e a estratégia de investimentos assim que começamos. Felizmente a maioria deles não é grave e pode ser facilmente corrigida, caso isso aconteça. Separei os principais erros de quem está começando no Tesouro Direto.

Escolher título errado

Cada título no Tesouro Direto serve para um objetivo específico. O Tesouro Selic é ideal para o curto prazo e para reserva de emergência; o Tesouro IPCA serve para quem deseja investir para o longo prazo, enquanto o Tesouro Prefixado é recomendado para o médio prazo.

Quando você escolhe um título não adequado ao seu objetivo, é comum haver prejuízo ou diminuição da sua rentabilidade. Por exemplo, se você usa o Tesouro IPCA para fazer sua reserva de emergência, poderá ter prejuízo ao sacar seu dinheiro por conta de um mecanismo chamado marcação a mercado.

Se você escolher o Tesouro Selic visando a sua aposentadoria corre o risco de ficar exposto demais à inflação e não ter a rentabilidade necessária para superar o aumento de preços. Foi isso o que aconteceu durante a pandemia, quando esse título rendeu 2% ao ano, enquanto a inflação passou dos 10%.

Escolher pela rentabilidade

O erro anterior acontece principalmente quando o investidor escolhe o título analisando somente a rentabilidade do investimento. Por exemplo, em alguns momentos o Tesouro Prefixado rende mais que o Tesouro IPCA e o Tesouro Selic. Não é incomum ver investidores colocando a reserva de emergência ou o investimento para a aposentadoria no Prefixado somente por esse dado.

No Tesouro Prefixado você pode ter prejuízo caso precise sacar seu dinheiro antes do vencimento do título e também não garante que seu dinheiro vai render acima da inflação.

Por isso sempre se pergunte antes de escolher o seu título: qual é o meu objetivo com esse investimento? Mesmo que a rentabilidade atual do título não pareça a maior no momento da escolha, ao longo do tempo, você vai ganhar mais dinheiro por conta dos motivos acima.

Escolher título com cupons

Os títulos que pagam cupons semestrais, como o Tesouro IPCA com cupons e o Tesouro Prefixado com cupons, nem sempre são a melhor escolha para quem deseja multiplicar o dinheiro no longo prazo. O investidor é atraído por esses títulos porque em alguns momentos eles podem apresentar rentabilidade nominal maior que os títulos convencionais.

A desvantagem dos títulos com cupons acontece porque sempre que você recebe os cupons estará pagando imposto sobre o lucro e esse desconto vai diminuir a atuação dos juros compostos ao longo do tempo. Vale mais a pena focar nos títulos sem cupons, mesmo que a rentabilidade pareça ser menor durante a compra do título.

Seguindo essas dicas, a chance de você cometer erros com seu investimento no Tesouro Direto é muito menor. Tenha calma e escolha seu título seguindo esses critérios para ter mais lucro com seu dinheiro.