PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Descomplique

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Não completei nem ensino médio e quero investir. Posso?

Suwaree Tangbovornpichet/iStock
Imagem: Suwaree Tangbovornpichet/iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

30/03/2022 11h38

Uma das coisas que eu mais repito aqui nas colunas do Descomplique é que está cada vez mais fácil e barato investir. Porém, esses dias recebi uma mensagem que me fez refletir: "Júlia, sou dona de casa e tenho 40 anos. Não terminei o segundo grau [atual ensino médio]. Sinto que sou a última pessoa na fila do pão. Quero me tornar investidora, porém acho que isso não é para mim".

Tenho certeza de que esse perfil não é exceção. São milhares de pessoas que se identificam com essa mensagem e acreditam que educação financeira não foi feita para elas. Até onde a educação financeira é para todos? Será que é tão fácil e simples começar a investir?

Reféns do sistema financeiro

A primeira coisa que precisamos entender é que quanto mais pobre (financeira e intelectualmente), mais refém do sistema financeiro nos tornamos. Não são incomuns os casos de gerentes de banco que se aproveitam da ignorância e necessidade por dinheiro dos mais necessitados para oferecer empréstimos ou produtos financeiros ruins, com altas taxas e parcelas que não acabam mais.

A partir do momento em que a pessoa entra nesse ciclo, é muito difícil sair dele. Quanto menos dinheiro no mês, mais complicado é para fazer os ajustes necessários e todos os gastos surpresa viram dívidas.

Além disso, sempre que o dinheiro sobra é comum que essas pessoas, por falta de conhecimento, acabem entregando a poupança para golpistas com promessas de retornos rápidos ou produtos bancários ruins.

Por isso, o primeiro obstáculo pelo qual precisamos passar é este: entender que nem sempre o que é oferecido por bancos ou pessoas ao nosso redor é a melhor opção e que para investir de uma forma séria e tranquila é preciso um pouco mais de conhecimento e curiosidade para aplicar o dinheiro.

Educação necessária

A boa notícia é que todo o conhecimento necessário para se tornar investidor, mesmo que o dinheiro para aplicar seja pouco, todo o material está disponível de forma gratuita e facilmente acessível pela internet. São milhares de vídeos de educação financeira e artigos gratuitos que ensinam desde o básico até o mais avançado para montar uma carteira de investimentos.

Para isso é necessário um smartphone ou um computador. Felizmente, está cada vez mais barato e acessível comprar um aparelho celular e usar a internet. Caso isso não seja possível, muitas bibliotecas públicas disponibilizam acesso à rede.

Com pouco mais de uma hora de estudo é possível descobrir como usar um banco ou uma corretora de investimentos para investir no tesouro direto ou em CDBs e começar uma reserva de emergência, o primeiro passo para quem deseja se tornar investidor.

Valores

Além disso, não é preciso muito dinheiro para começar. Em alguns bancos digitais (alguns deles permitem que você abra conta sem comprovar renda) é possível começar a investir com qualquer valor.

Investimentos mais avançados como ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa privada também estão cada vez mais baratos. Por isso se sobra pouco no final do mês e você ainda consegue aproveitar essas oportunidades.

Respondendo à pergunta inicial: sim, felizmente é possível uma pessoa que não tenha renda recorrente e educação completa se tornar investidora. Os caminhos estão cada vez mais fáceis e práticos para que os produtos financeiros sejam acessíveis a qualquer pessoa.