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Você sabia que dá para alugar suas ações e lucrar mais com isso?

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

28/07/2020 04h00

A Bolsa bateu recorde de pontuação e a pergunta que não quer calar é se é tudo uma ilusão ou se realmente as ações vão subir ainda mais. Se a Bolsa subir, você tem ações? Sabia que tem como você lucrar ainda mais com isso? Mas e se a Bolsa cair ou se você não tiver uma ação sequer? Você também pode lucrar.

Mas calma! Se pareceu estranho, neste artigo, bem como no vídeo acima, eu, Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, a tradução da economia, vou traduzir o mercado de aluguel de ações e como você pode lucrar com ele.

Com certeza você já ouviu falar de aluguel de imóveis ou ainda de carros e de roupas. Mas você sabia que também é possível alugar seu investimento, mais especificamente suas ações? E o mecanismo não é tão diferente do que acontece nestes mercados que você já conhece.

Doador da ação

Por que eu digo que não é tão diferente? A começar pelas partes envolvidas no negócio. Como em um mercado de aluguel, há dois lados. O dono da ação, quem aluga o papel, é chamado de doador.

O doador precisa entrar em contato com a corretora e pedir para que ela coloque suas ações para alugar. Então a corretora é a intermediária, como se fosse a "imobiliária".

Ao colocar a ação para alugar, o doador já determina o prazo - como um mês ou 12 meses - e a taxa que quer receber pelo aluguel.

Tomador da ação

A outra ponta do negócio - quem toma "emprestada" a ação - é chamada de tomador. É ele que vai pagar essa taxa pelo aluguel. Além disso, ele também arca com uma taxa à B3 de 0,25% ao ano sobre o valor do empréstimo.

Mas como em um aluguel de bens, é preciso fornecer garantias. No caso do aluguel de ações, essa caução é chamada de "margem de garantia". Serve como margem, por exemplo, um depósito feito na sua conta lá na corretora ou mesmo títulos públicos do Tesouro Direto.

Quando o doador da ação ganha?

O doador da ação, o dono do papel, acredita que a ação no longo prazo vai subir, geralmente baseado em uma análise fundamentalista. Este investidor não pretende vender o papel por alguns anos e acaba o alugando para ter um lucro extra neste período já que vai ficar recebendo a taxa de aluguel.

Essa taxa é sempre sobre o percentual da carteira que o doador está alugando, considerando o valor atual da ação. Ou seja, se a pessoa vai alugar 100 ações e cada uma vale R$ 30, ela está alugando um total de R$ 3.000 de ativos.

Caso a taxa de aluguel seja de 2% ao ano, isso significa que vai receber um aluguel de R$ 60 se alugar esse conjunto de ações por 12 meses completos.

Como o tomador ganha?

Se a ação cai, acontece o melhor cenário para quem toma a ação emprestada. Na verdade, quando o tomador pede para alugar um papel, ele já espera que isso ocorra, baseado em uma análise técnica ou grafista. A estratégia dele é de curto e, às vezes, chega a ser de apenas um mês.

E sabe por quê? Vamos imaginar o cenário atual com algumas empresas valorizadas. Este investidor acredita que algumas ações vão cair daqui um tempo, mas está fora do mercado, ou seja, não possui essas ações na carteira para vendê-las. Agora, se ele as aluga, consegue vendê-las hoje, justamente quando acha que o preço está alto.

Lá na frente, no fim do contrato, quando as ações já tiverem caído segundo suas projeções, o tomador pode comprá-las novamente por um preço menor e devolvê-las ao doador, o proprietário original.

Simulação

Usando o mesmo exemplo das ações que custam hoje R$ 30, o tomador pega emprestado um lote de 100 ações e o vende, recebendo assim R$ 3.000. E sempre vale lembrar, com a taxa do aluguel de 2% ao ano, paga R$ 60 ao doador por esse contrato de um ano.

Além disso, arca com R$ 7,50 de taxa à Bolsa, resultado dos R$ 3.000 alugados vezes 0,25%.

Depois de um ano, no momento em que o tomador vai recomprar as ações no mercado, vamos supor que a ação tenha caído para R$ 20. Ou seja, desconsiderando taxas de corretagem, ele gasta R$ 2.000 para comprar as 100 ações de volta e devolver ao doador.

O lucro do tomador é a diferença entre o que ele recebeu, ou seja, os R$ 3.000 na venda feita há um ano e o que ele gastou. Neste caso, o dinheiro gasto para recomprar as ações (R$ 2.000), a taxa de aluguel do doador (R$ 60) e a taxa da B3 (R$ 7,50). Isso resulta em um lucro de R$ 932,50.

E se a ação subir?

Se a ação subir, o tomador fez um mal negócio. Caso a ação avance para R$ 40, por exemplo, o tomador gastará R$ 4.000 para recomprar os papéis. No começo do aluguel, ele recebeu R$ 3.000 na venda desta carteira. Além desse prejuízo de R$ 1.000 do exemplo, o tomador ainda têm aquelas taxas que já falei acima.

O negócio é seguro para o doador porque a B3 garante o risco da operação. E é por isso que a Bolsa pede garantias para quem está tomando o papel emprestado. Se a ação subir, a Bolsa pode inclusive pedir para a pessoa colocar mais papéis ou depósitos como garantia para manter o contrato. E se o tomador não honrar o negócio, a Bolsa pode vender essa garantia no mercado para comprar as ações e as devolver ao doador.

Em resumo, o aluguel de ações é um negócio que une pontas opostas: um investidor que quer manter o papel e acredita na alta e outro que só quer vender e espera a queda.

Quanto custa o aluguel?

Se você quer for colocar para alugar um apartamento por R$ 2.000 e no mesmo prédio houver vários outros apartamentos sendo alugados por R$ 1.500, provavelmente terá dificuldade na sua locação.

No aluguel de ações não é diferente. A taxa de aluguel segue a lei de oferta e demanda. Uma boa dica para quem quer alugar ações é perguntar à corretora como está a taxa no dia ou consultar o site da B3.

Depois desta explicação você pretende alugar suas ações se já investe no mercado? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.