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Como conseguir descontos nas taxas de corretagens de investimentos?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

04/09/2020 04h00

Você sabia que dá para negociar com sua corretora para diminuir ou até zerar suas taxas de corretagens e outras cobranças?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E na coluna de hoje, bem como no vídeo acima, vou explicar como usar cinco técnicas de negociação que podem ajudar a pagar menos taxas e aumentar a rentabilidade dos seus investimentos.

Para mim, a segunda e a quinta técnica são as mais importantes!

No último conteúdo que a minha sócia, Yolanda Fordelone, publicou por aqui, ela contou algumas técnicas de negociação para economizar na hora das compras. Afinal, ela é uma "mão de vaca" profissional. E está de parabéns por isso!

Foi aí que pensei que, no final das contas, as etapas de investimentos envolvem muita negociação.

Por mais que, hoje, a gente consiga fazer todos os investimentos sozinhos pelo celular ou computador, se você não "gasta saliva" para negociar melhores taxas, ou pelo menos não manda um e-mail para seu assessor perguntando sobre isso, saiba que possivelmente está pagando mais caro do que algumas outras pessoas na hora de investir.

Aliás, o próprio ato de investir é uma negociação. Mesmo que seja digital.

Sempre que fazemos um investimento, fechamos um negócio com outra pessoa ou empresa, que talvez nunca veremos pessoalmente. Ao investir em qualquer coisa, você fechou um negócio que, na prática, deixará seu dinheiro disponível para a outra ponta usar. E isso, por definição, é uma negociação.

Uma curiosidade muito legal é que a palavra "negócio" vem do latim e era usada para se referir a atividades de compra e venda. A raiz da palavra significa "negação do ócio". Ou seja, a negação de se fazer nada, que é associada ao trabalho.

Você poderia até me perguntar se quando investe não deixa o dinheiro render "sem ter que fazer nada". Muita gente diz isso.

Mesmo que essa ideia romântica dos investimentos fosse verdade, ao investir, você está fazendo o dinheiro trabalhar a seu favor e, portanto, tirando seu dinheiro do ócio para fomentar novos negócios.

Assim, separei cinco técnicas de negociação que você pode aplicar nos seus investimentos para ter melhores retornos.

1. Negociar melhores taxas de corretagens

As corretoras, resumidamente, são apenas intermediárias entre o investidor e o investimento. E elas tiram seus lucros basicamente das taxas de corretagens, que você paga ao comprar ou vender um ativo (como uma ação), e das taxas de rebate, que são uma espécie de comissão paga à corretora pela instância final que você está investindo seu dinheiro.

Mas você sabia que dá para você ter, pelo menos, uma redução na sua taxa de corretagem?

Se você entrar em contato com a sua corretora e pedir um desconto, dificilmente conseguirá, a não ser que seja um mega investidor milionário e a corretora não queira te perder.

Mas há um atalho para isso.

Há um profissional conhecido como assessor de investimentos, ou agente autônomo de investimentos, que você pode ter sem custo algum. Na verdade, ele também leva uma comissão nos mesmos moldes da corretora quando você investe, mas isso não muda nada para você na prática.

É com esse profissional que você vai conseguir seu desconto.

Como os assessores quase sempre estão ligados a algum escritório de agentes autônomos de investimentos, que, por sua vez, tem vários investidores ligados a alguma grande corretora, eles conseguem negociar mais facilmente a redução das corretagens para seus clientes.

É claro que a lógica ainda é a mesma e quanto mais dinheiro você tiver investido, maior será a chance de conseguir esse abatimento. Mas, por esse atalho, o pequeno investidor pode conseguir esse desconto mais facilmente.

Se você não sabe como ter um assessor de investimentos e quer que eu fale mais sobre isso, deixe seu comentário. Se bastante gente também quiser saber sobre isso, faço um conteúdo falando todos os detalhes.

2. Tenha sempre um plano B

Dessa segunda técnica de negociação em diante, você vai perceber que todas estão interligadas e podem ser usadas ao mesmo tempo. Inclusive para negociar melhores taxas com seu assessor.

Para mim, ter sempre um plano B é a técnica de negociação mais importante!

Estou falando de investimentos, mas isso serve para tudo.

Quando você está querendo investir em alguma coisa, seja no Tesouro Direto, em um CDB ou mesmo em ações, você tem que conhecer as alternativas de investimentos parecidos para comparar.

Quando você tem essas informações, como o mercado financeiro é dinâmico e tudo muda o tempo todo, se, na hora que você for investir, as condições mudarem, você pode simplesmente desistir de fechar o negócio porque conhece opções melhores de investimentos.

Se for investir em um imóvel, comprar um carro ou qualquer outra coisa, ter um plano B dá um poder de negociação muito maior.

Ao perceber que você não está desesperado para fechar o negócio, a outra ponta tende a oferecer melhores condições nessa negociação do que se você não tivesse opção nenhuma.

Nos investimentos, apesar de ser mais impessoal, conhecer todas as alternativas de investimentos vai permitir a você sempre escolher a melhor oportunidade do momento.

Você já imaginou em que outra situação seria útil ter um plano B?

3. Não ceda às emoções

Seja confiante e não ceda às emoções. Não mostre raiva, ansiedade, nervosismo ou muita empolgação. Essas expressões de emoção podem fazer a outra parte se irritar e não chegar aos termos que você gostaria, ou ainda perceber que você está inseguro e dar menos margem para negociar.

Adaptar essa técnica de negociação para o mundo dos investimentos para mim é óbvio.

Você se lembra da última queda da Bolsa ou do último corte da taxa Selic? Provavelmente, viu muita gente se desesperando e vendendo todas as ações, ou muitos influenciadores dizendo que "a renda fixa morreu". Todos estavam agindo no "calor da emoção" e deixando a razão de lado. As ações voltaram a subir, e a renda fixa continua cumprindo seu propósito, com ótimas oportunidades, mesmo com a Selic em nível baixo.

Aquele investidor empolgado também pode fazer besteira ao investir mais do que deveria em um ativo e diversificar de menos, aumentando o risco a que se expõe desnecessariamente.

Nos negócios e nos investimentos, a regra é: mais razão e menos emoção.

4. Não encare os investimentos como uma competição

Apesar de muitos pensarem assim, achar que sempre há um vencedor e um perdedor nos investimentos é um erro.

Os bons investimentos são um "ganha-ganha".

Quando você compra uma ação emitida pela primeira vez, a empresa ganha ao ter seu dinheiro como forma de financiamento para novos projetos, você ganha quando a ação se valoriza e paga sua distribuição de lucros em forma de dividendos e, ao vender essa ação para outro investidor, ele também pode continuar ganhando da mesma maneira se a empresa continuar dando bons resultados.

Essa mesma lógica se aplica para todos os bons investimentos.

Em qualquer negociação é a mesma coisa: na negociação de salário, mostre que sua equipe e a empresa ganharão tendo você como profissional, na negociação de alugar ou comprar um imóvel, mostre que a outra parte terá vantagens de ter você como um bom pagador que não vai dar problemas, e assim por diante.

5. Não tenha vergonha de negociar

Se você tem vergonha de negociar, saiba que está deixando de ganhar muito dinheiro ou, pelo menos, gastando mais do que poderia.

E se lembre de que um bom negociador não é, necessariamente, aquela figura chata e insistente que ninguém quer por perto.

Ao negociar com alguém, tenha respeito pela outra pessoa e mostre que só está tentando buscar o melhor acordo para todos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.