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Ações da Oi em queda: entenda o que muda após a assembleia com credores

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

09/09/2020 18h20Atualizada em 09/09/2020 19h09

A longa novela que envolve a companhia Oi ganhou um novo capítulo nesta semana com novos desdobramentos do plano de recuperação judicial da empresa. Nesta terça-feira (08) à noite, em assembleia, os credores da companhia aprovaram o plano de aditamento, que nada mais é do que uma nova proposta para a recuperação judicial. Mas isso não foi o suficiente para conter a queda das ações hoje.

As ações ordinárias (OIBR3) fecharam em baixa de 3,23%, valendo R$ 1,80, enquanto o Ibovespa - principal índice do mercado que representa o desempenho médio da Bolsa de Valores - subiu 1,24%, aos 101.292 pontos.

Novo capítulo

A mudança do plano aprovada gerou dúvidas até os últimos instantes. A Oi atualmente tem 25 mil credores e desde junho, quando divulgou os detalhes da proposta, os bancos vinham protestando. Tentaram na Justiça o adiamento da assembleia, sem sucesso.

Isso porque a recuperação da Oi previa um desconto de até 60% na dívida que a companhia possui e um pagamento em até nove anos. No fim, o novo plano de reestruturação foi aprovado com descontos entre 50% e 55%, mas com a antecipação do pagamento das dívidas a partir dos leilões de vendas de partes da companhia.

O plano prevê o rateio da Oi em cinco companhias das quais quatro serão leiloadas nos próximos meses para abater parte da dívida bruta que no segundo trimestre somava R$ 26,1 bilhões. As cinco unidades são: telefonia móvel, torres, data centers, operação de TV e fibra ótica.

No caso da telefonia móvel, tivemos novidade. O consórcio formado por TIM, Vivo e Claro ofereceu R$ 16,5 bilhões e venceu a proposta para participar do leilão de venda, que deve ocorrer no quarto trimestre, como stalking horse. Traduzindo, ganharam o direito de preferência de dar uma nova proposta caso algum concorrente entre no leilão. Os lances devem partir desse valor e, em um momento de pandemia, o leilão deve ser um dos maiores negócios do ano no Brasil. Vale lembrar que no plano inicial a expectativa da Oi era arrecadar um valor menor (R$ 15 bilhões) no leilão da Oi Móvel.

Os leilões das torres e data centers devem ocorrer em outubro e da operação de TV no primeiro trimestre de 2021. A Oi não deve sair totalmente da fibra ótica, a menina dos olhos da companhia. A companhia tem a maior rede de fibra ótica do Brasil (388 mil quilômetros) e uma das maiores do mundo.

Como tudo começou

Em 2008, a Oi era apontada como a "supertele brasileira" quando comprou a Brasil Telecom com apoio do governo e recursos do BNDES, atualmente um dos credores. Em 2013, veio a fusão com a Portugal Telecom, mas o sócio entrou em crise e as dívidas desandaram.

Em 2016, foi anunciada a recuperação judicial quando a dívida bruta já somava R$ 64 bilhões. O plano foi aprovado no ano seguinte, em 2017, reduzindo o valor para R$ 36 bilhões mediante descontos, parcelamentos e troca de dívidas por ações.

Perspectivas para as ações

A Ágora e o Bradesco BBI estão com boas perspectivas para a companhia, com preço alvo de R$ 2,10. Parte do mercado, no entanto, afirma que o avanço nos próximos meses não deve ser tão grande como o que ocorreu desde o começo de 2020. As ações ordinárias fecharam 2019 cotadas em R$ 0,86.

A novela ainda promete ser longa. O plano de recuperação judicial só deve ser finalizado, se tudo der certo, em maio de 2022. Até lá ocorrerão os pagamentos, a transição para os novos donos do negócio, entre outros trâmites.

Além desta espera para ver se tudo vai dar certo para a companhia, o mercado ainda assiste à reação dos bancos que não saíram 100% satisfeitos da assembleia de ontem. Em suas falas durante a reunião, os bancos protestaram sobre o desconto da dívida e, segundo reportagens, ameaçaram seguir contestando os termos da recuperação na Justiça.

Você tem ações da Oi na carteira? Qual a sua perspectiva? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.