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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Juros semestrais ou no vencimento: conheça a pegadinha do Tesouro Direto

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

15/06/2021 04h00

Na hora de investir, alguns podem ter medo de se arrepender ou de escolher um investimento que não seja o ideal. E isso pode acontecer até mesmo no Tesouro Direto, porque a aplicação tem uma pegadinha: os juros semestrais.

Mas como funcionam os juros semestrais e por que eles acabam sendo uma pegadinha? A coluna de hoje responde a essa dúvida. Se preferir, você pode conferir o vídeo abaixo.

Você já se sentiu perdido na hora de escolher um título público? São muitas opções, prazos e até maneiras de você receber o seu dinheiro. Hoje explico especificamente esta terceira parte: por que o cupom semestral (juros semestrais) é uma pegadinha para o desavisado?

Atualmente quatro títulos oferecem a opção de pagamento semestral, sendo um prefixados e três de inflação. Em um título normal, você recebe tudo no vencimento. Ou seja, na data final tem de volta o dinheiro que investiu mais a rentabilidade.

Já em um título com juros semestrais, os rendimentos são adiantados e distribuídos semestralmente. No vencimento, você recebe o dinheiro que aplicou.

Por que é uma pegadinha?

O primeiro ponto de atenção é que o investidor paga mais impostos. Cada recebimento semestral funciona como se fosse um resgate antecipado. Então, no primeiro pagamento, em seis meses, há Imposto de Renda de 22,5% sobre o rendimento, no segundo (em um ano), de 20%, no terceiro (um ano e meio), de 17,5% e só depois passa a pagar 15%.

Caso o investidor recebesse tudo no fim e o prazo fosse superior a dois anos, pagaria 15% de uma vez.

Além disso, os pagamentos semestrais interrompem o efeito de juros compostos. O dinheiro recebido a cada seis meses poderia estar rendendo se estivesse parado no investimento, mas além de resgatá-lo o investidor ainda pagou imposto. Mesmo que resolva reaplicar o valor, perde alguns dias entre recebê-lo e investir de novo.

Como decidir?

São duas perguntas principais:

  1. Você vai investir pouco? Se sim, provavelmente está na fase de acumular dinheiro, juntar patrimônio. Aplicar com juro semestral não vai garantir tanto dinheiro assim.
  2. Você precisa de um fluxo de caixa? Quer viver de renda? Já tem com um belo capital para investir? É aposentado e precisa complementar a aposentadoria? O que garante esse fluxo de caixa periódico é o título com cupom semestral.

Outro dia ouvi uma analogia que parece boa para o caso: é como se você estivesse plantando uma árvore, mas de tempos em tempos comesse a semente. Não deu tempo de a árvore crescer e dar frutos.

Se você tiver uma floresta, comer parte das sementes não faz tanta diferença. Mas se só tem uma árvore, o melhor é deixá-la crescer. No vídeo acima, fizemos uma simulação para mostrar o tamanho da diferença.

Quais títulos você possui na sua carteira? Responda abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL