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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Investimento em Tesouro Selic voltará a render mais de 10% ao ano?

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César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

26/03/2021 04h00

Recentemente, o Banco Central subiu a Selic mais do que se esperava: de 2% para 2,75% ao ano, e já avisou que vai subir de novo.

Para entender por que ela vai continuar subindo e o que fazer com os investimentos, antes é importante saber os motivos de a Selic ter chegado ao menor nível da história, como expliquei no vídeo abaixo.

Neste artigo, vou explicar:

  • O que aconteceu para a Selic ter chegado a 2%.
  • Porque ela voltou a subir.
  • Até onde ela vai chegar.
  • O que muda nos investimentos.

Por que a Selic estava tão baixa?

Olhando apenas para os juros, a crise possibilitou que o Banco Central colocasse a taxa a 2% ao ano sem que isso gerasse pressões inflacionárias. Afinal, as altas de preços são derivadas justamente da atividade econômica.

Por que a Selic voltou a subir?

Os motivos principais são inflação além da desejada e falta de perspectivas com as reformas que reduzam os gastos do governo:

  • A queda da produção diante da pandemia fez os preços subirem. Há casos de empresas comprando papel branco (mais caro) em vez de papelão para embalar produtos, pois não foi possível produzir todo o papelão a tempo.
  • A incerteza quanto à evolução das reformas que reduzam os gastos exagerados do governo brasileiro afugenta os investidores, que buscam ativos mais seguros fora do Brasil. Menos dólares por aqui faz o real se desvalorizar e a moeda americana ficar mais cara.
  • A alta do dólar é repassada aos itens consumidos no Brasil, como commodities alimentares e combustível.

Até onde vai a Selic?

No Instagram do Econoweek, perguntei o que os seguidores acham disso e eles estão bem divididos se a Selic continuará subindo até os 10% ou não.

Nos meus cálculos, a Selic deve subir para entre 5% e 6% ao ano em 2021 e deverá chegar a 7% em 2022. Para verificar sempre as projeções atualizadas do mercado financeiro consulte o Boletim Focus.

Como os seguidores do Econoweek já sabem, Selic é a taxa básica de juros da economia. Os juros dos empréstimos e investimentos tendem a segui-la.

Hoje, já há investimentos de renda fixa com rentabilidade superior a 1% ao mês. E isso vai aumentar com essa alta da Selic.

Ou seja, há títulos de renda fixa de menor liquidez com retorno superior aos 10% ao ano, e com certeza veremos essas rentabilidades subirem ao longo deste ano e do próximo.

Para encontrar essas oportunidades, busque no App Renda Fixa ou site da Yubb.

De todo modo, a subida da taxa Selic em 2021 e 2022 ocorrerá de maneira gradual e terá um limite.

Isso porque ainda temos uma capacidade ociosa muito grande na economia brasileira, seja na indústria, comércio ou no setor se serviços, além de uma elevadíssima taxa de desemprego.

A Selic não poderá subir a ponto de desfavorecer ainda mais a recuperação da economia e do emprego.

Conforme já discutimos nesse vídeo, apenas com o desenrolar da vacinação e a volta integral de todas as atividades produtivas a crise poderá ficar para trás.

Onde investir?

Para sua reserva de emergência, nada muda! Seu dinheiro deve continuar investido em aplicações de liquidez imediata, alto grau de segurança e com previsibilidade dos retornos.

Por isso, Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária, bem como algumas contas remuneradas continuarão sendo as melhores opções.

Para além da reserva de segurança, a renda fixa ficará cada vez mais atraente conforme os juros sobem.

Por isso, passaremos a ver o caminho inverso do observado nos últimos anos: uma migração paulatina da renda variável para os investimentos de renda fixa.

Se você já investe em ações, fique calmo! Isso não significa por si só uma queda dos preços dos seus ativos de renda variável. Mas vale a pena ficar mais atento às ações de empresas com elevado grau de endividamento: com a alta da Selic, os juros pagos por esses empréstimos também ficarão maiores, corroendo seus lucros e dividendos.

Qual é sua opinião sobre isso? Conte para a gente nos nossos canais do YouTube e Instagram ou deixe seu comentário abaixo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL