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Eleições 2022: "Lula vai ser presidente com apoio dos investidores!"

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César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

16/03/2021 04h00

"Lula vai ser candidato sim em 2022 e vai vencer as eleições com apoio dos investidores e mercado financeiro!"

Com essa afirmação forte, o economista César Esperandio iniciou o vídeo abaixo, em que explica por que o cenário mais provável é que Lula se torne o próximo presidente do Brasil.

Neste artigo, vou explicar:

  • O que aconteceu para Lula ficar elegível.
  • Por que ele será o candidato com mais chances de vencer as eleições.
  • Por que os investidores vão apoiá-lo e isso será crucial para sua vitória nas urnas.
  • Quais serão os reflexos na economia e nos investimentos até o fim das eleições de 2022.

O que aconteceu?

O Ministro do STF Edson Fachin decidiu monocraticamente pela anulação das condenações de Lula da Lava Jato, afirmando que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula.

Isso não significa que Lula foi inocentado, mas sim que o julgamento terá que recomeçar na Justiça Federal do Distrito Federal.

Sem condenações, Lula é ficha limpa e recuperou seus direitos políticos, voltando a ficar elegível para qualquer candidatura.

A maioria dos economistas e analistas políticos do mercado financeiro não considera provável uma reversão da decisão de Fachin pelo plenário do STF.

E as eleições?

Com Lula de volta ao jogo, o que tenho certeza é de que Lula será um ator político de primeira importância. Resta saber se ele se candidatará.

Para mim, é bem evidente que ele será candidato à Presidência, embora ainda haja a possibilidade de ele compor uma chapa como candidato a vice, coisa bem típica de diversos governos latino-americanos, em que ex-presidentes sempre vêm e vão, oscilando de postos.

Com Lula candidato à Presidência, o que parece mais provável, uma pergunta importante seria: "qual será a roupa que ele irá vestir?".

Será que Lula voltaria às origens, com uma cara mais comunista de 1989, ou viria com a roupagem "paz e amor" das eleições de 2002, em que se alinhou ao mercado financeiro e às empresas?

Eu penso que Lula fará um pouco dos dois. Até o início oficial da campanha, em abril de 2022, Lula deverá fazer afagos à sua base mais à esquerda, porém começar a dar sinalizações mais claras de alinhamento ao empresariado a partir daí, com anúncio de um candidato a vice do centrão e um Ministro da Economia que agrade o mercado financeiro.

Do lado do Bolsonaro, especialistas indicam que seria melhor ver um Lula mais radical, já que isso aumentaria sua chance de vitória em um cenário de extrema polarização dos eleitores.

Lula não deverá apostar todas as fichas nessa radicalização, imagino eu.

De qualquer forma, Bolsonaro se mostrou bem impulsivo na Presidência, abandonando estratégias aconselhadas por sua equipe até aqui.

Não parece distante imaginar que Bolsonaro também poderia abandonar as já mancas tentativas de reformas econômicas e administrativas, caminhando para políticas populistas para fazer frente a Lula.

Se isso ocorrer, Bolsonaro perderia o sensível apoio que ainda resta do empresariado e dos investidores do mercado financeiro, o que foi crucial para chegar aonde está.

O que restaria para apoiar? Lula!

Na crescente polarização que empobrece a política brasileira, o surgimento de uma terceira via moderada com chances reais de fazer frente a esses dois nomes marcantes na corrida eleitoral parece muito improvável, infelizmente.

E meus investimentos?

No dia da decisão do Ministro Fachin, a Bolsa mostrou forte queda, com alta do dólar e saída de investidores estrangeiros. Isso não se repetirá indefinidamente, mas certamente haverá um componente extra de incerteza, adicionando maior volatilidade aos preços dos ativos do mercado financeiro nos próximos meses, embutindo maior risco aos investimentos. É bom ter isso em mente.

Se Bolsonaro realmente abraçar o populismo como estratégia de campanha, abandonando as reformas necessárias (que até hoje pouco caminharam), este será mais um mau sinal à economia, que poderia se recuperar com maior velocidade e fazer encolher as altas taxas de desemprego que observamos.

Assim, não serão apenas os investidores que sofrerão: o alto desemprego também tardará a cair.

Se estou feliz com o retorno de Lula? Tenho certeza que Brasil merece ser muito maior que Lula, Bolsonaro e a estagnação econômica que vivemos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL