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OPINIÃO

Lista da Forbes comprova que saída da crise é taxação de grandes fortunas

O investidor Jorge Paulo Lemann tem fortuna estimada em US$ 16,9 bilhões Imagem: Divulgação
Gabriela Chaves

08/04/2021 10h56

Essa semana a revista Forbes divulgou o ranking atualizado dos bilionários do mundo 2021. Nessa lista, um dado chama a atenção: o número de brasileiros bilionários subiu de 45 para 65 pessoas. A soma dessas fortunas é de aproximadamente US$ 291 bilhões (aproximadamente R$ 1,6 trilhão). Nesse caso, o Brasil não é uma exceção e acompanha uma tendência mundial. De acordo com a publicação da revista, o número de bilionários do mundo saltou neste ano para 2.755 pessoas, que somam uma fortuna de US$ 13,1 trilhões.

Eu sei que os bilhões são uma unidade de grandeza muito distante da realidade da maior parte da população, que sobrevive com rendimentos em torno de um salário mínimo. Para se ter uma ideia, uma pessoa capaz de guardar R$ 1.000 por mês, com um rendimento mensal de 1%, demoraria 77 anos para acumular R$ 1 bilhão (você pode conferir a conta aqui na calculadora do Banco Central). No câmbio atual, R$ 1 bilhão corresponde a aproximadamente US$ 179 milhões.

Não pretendo aqui questionar moralmente as pessoas que ingressaram nessa lista, mas penso que, no momento econômico que vivemos, algumas questões devem ser colocadas para reflexão.

Qual a responsabilidade social dos bilionários que somam lucros exorbitantes em um momento em que o mundo soma mortes e desemprego?

Como aceitamos um sistema econômico que, em plena pandemia, promove simultaneamente o empobrecimento de muitos e o enriquecimento de poucos?

Será que a economia brasileira está realmente quebrada?

Há sentido em celebrarmos a fortuna de 65 pessoas num contexto em que mais de 27 milhões de pessoas não tem o que comer?

A pobreza está avançando rapidamente, com a redução da renda da maior parte da população brasileira. O Estado brasileiro segue sua agenda de terrorismo fiscal, preso no teto de gastos e cortando diversos gastos importantes, como o censo demográfico realizado pelo IBGE. Nesse contexto, o Ministério da Economia e seu alinhamento com o mercado financeiro se recusam a discutir a solução mais rápida para sairmos dessa crise: a taxação de grandes fortunas.

Tão importante quanto a taxação de grandes fortunas é a necessidade de uma reforma tributária que suavize o bolso das camadas mais pobres da população. Trata-se de uma saída concreta para o impasse fiscal que estamos enfrentando e tem a possibilidade de salvar muitas vidas.

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