Mariana Londres

Mariana Londres

Siga nas redes
Reportagem

BC vai cortar juros em 0,5 ponto percentual. A pergunta é até quando

Não há dúvidas no mercado de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central vai cortar os juros brasileiros em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (13), levando a taxa básica de juros da economia a fechar o ano em 11,75%. A pergunta que se faz é até quando o atual ritmo de cortes de 0,5, iniciado em agosto, vai se manter ou se os cortes de 2024 serão menores, de 0,25, ou maiores, de 0,75.

O governo Lula defende um ciclo de cortes mais longo para estimular o mercado de crédito e melhorar o desempenho da economia. Se o atual ciclo se mantiver, os juros brasileiros podem chegar a um dígito até a metade de 2024.

Desde o início dos cortes de 0,5, o mercado já esperou cortes maiores, de 0,75. Com a piora do mercado externo, eles foram praticamente descartados, entrando no cenário a possibilidade de redução de 0,25. Mas, nas últimas semanas, o bom comportamento da inflação de serviços e a melhora do cenário externo levaram o mercado a voltar a acreditar em um ritmo mais forte de redução dos juros.

Na semana passada, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse em um almoço com parlamentares em Brasília que via como adequado o ritmo de queda de 0,50 para as próximas reuniões, o que significa duas reuniões à frente. Ele ressaltou que nada impede que esse entendimento mude durante a reunião.

Se não houver essa mudança, a sinalização, portanto, é de cortes de 0,5 nas reuniões desta semana e na reunião de janeiro. O cenário está, portanto, em aberto para a reunião de março, que vai coincidir com a provável volta do debate da meta de déficit zero pelo governo (o que adiciona incertezas do ponto de vista fiscal, reduzindo o espaço para os cortes de juros).

O que o mercado espera do BC para esta reunião é uma sinalização, nos comunicados oficiais, de quais serão os próximos passos da autoridade monetária. Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o BC pode inclusive sinalizar que o cenário para 2024 está aberto:

No curtíssimo prazo, nas reuniões de dezembro e janeiro, o corte de 0,5 está dado. Nas últimas atas eles falam que os membros do comitê antevêem quedas da mesma magnitude para as próximas reuniões. Na reunião dessa semana esse trecho das próximas reuniões pode ser suprimido, marcando o corte de 0,5 em janeiro, mas deixando o cenário em aberto se nas próximas teremos corte de 0,75 dada uma evolução positiva da economia, ou, se houver choque, reduzir para 0,25. Acredito que eles vão deixar em aberto de março em diante, porque tem muita coisa para acontecer até março.
Gustavo Sung

O que o BC analisa para cortar juros?

  • Se a inflação está sob controle
  • Como está a atividade econômica (quando está muito alta, pressiona a inflação para cima)
  • Como está o mercado de crédito
  • Como está a responsabilidade do governo com as contas públicas (fiscal)
  • Como está o mercado externo, se com muitos ou poucos riscos
  • Como está o juro americano (a decisão do Fed também é nesta quarta)
  • Outros riscos para a política monetária
Continua após a publicidade

Como será 2024?

Há uma dose de otimismo em relação ao próximo ano. Para Gustavo Sung, "2024 pode ser o ano de dissipação completa ou em grande medida dos choques que tivemos nos últimos anos e um sincronismo de quedas de juros mundiais, e o Brasil pode se beneficiar. Claro que risco sempre tem, como Venezuela e El Niño, mas são questões pontuais".

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes