Mariana Londres

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Brasil fica mais perto de ter juros de 8% em 2024 após mudança nos EUA

A sinalização do presidente do Banco Central americano (Fed) sobre os juros americanos na semana passada trouxe otimismo para o mercado brasileiro. Economistas de corretoras e casas de análise passaram a enxergar como cenário possível os juros brasileiros não apenas abaixo dos dois dígitos ao final de 2024, mas chegando à casa dos 8% ao ano.

O rompimento da barreira dos 9% ainda não está expresso no boletim Focus desta segunda-feira (18), que mantém a previsão de juros a 9,25% ao final de 2024. Na projeção coletada nos últimos cinco dias úteis, no entanto, já está em 9%, sinalizando uma queda.

O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, falou sobre essa "virada de chave" após o discurso de Jerome Powell na semana passada:

"A virada do discurso do presidente do Fed sinalizando mais cortes para o ano que vem muda o cenário deste final de ano e para o ano que vem. Aqui o Copom cortou 0,50 e sinalizou no plural que continuará cortando. Até março já está mais ou menos dado que a Selic venha a 10,75% e muita gente está revendo para baixo a Selic terminal para outubro, novembro do ano que vem, abaixo de 9%. Muita gente colocando entre 9% e 8,5% e até 8%."

Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital, revisou para baixo a projeção da Selic para 2024 após os eventos da superquarta-feira da semana passada. "Inicialmente, tínhamos uma projeção de Selic terminal em 9,5%, mas os eventos de hoje nos levam a revisar para algo entre 8,5% e 9,0%".

Em uma análise em que defende a manutenção dos cortes de 0,5 pontos percentuais pelo Copom, o economista-chefe da AZ Quest, Alexandre Manoel, lembra que se forem mantidos os cortes de 0,5 ao longo de 2024, a Selic chegará a 7,75% no final do ano, "alcançar essa taxa é altamente improvável, mas não impossível".

Há três meses, em meados de setembro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já observava o movimento dos juros americanos e o início dos cortes por lá como um dado importante para o Brasil. "Se houver uma coincidência feliz deles começarem a cortar lá na hora que o BC estiver pensando em parar de cortar aqui, pode acontecer um movimento virtuoso".

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