Mariana Londres

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Como o governo Lula enxerga o papel da Petrobras?

O debate sobre a recente decisão da Petrobras de reter os dividendos extraordinários de R$ 43 bilhões acendeu um sinal amarelo nos investidores, que temem que os recursos sejam usados com base em decisões mais políticas do que técnicas.

O temor não é por acaso. Há um histórico de investimentos feitos em gestões petistas de negócios que miravam mais dividendos políticos do que financeiros, e o resultado para a Petrobras e para os acionistas não foi bom. O medo agora se mantém: que a petroleira coloque dinheiro em projetos com baixo retorno.

Como o governo Lula 3 enxerga a Petrobras?

Lula 3 e o PT defendem que as empresas em que o governo é o maior acionista (Petrobras, Eletrobras), ou tem participação indireta (Vale, por meio da Previ), devem ser indutoras do crescimento. E para isso precisam investir mais. Lula já vem discutindo a ampliação dos investimentos da Petrobras no PAC e fora dele com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

A reunião entre os dois desta segunda (11), inclusive, já estava previamente marcada para tratar justamente dos projetos futuros da companhia: investimentos em refinarias, na indústria naval, na transição energética e nas plantas de fertilizantes que serão reativadas.

Mas o tema dos dividendos entrou na pauta em função da repercussão negativa da decisão de reter os R$ 43 bilhões na conta de reserva para remuneração de capital da semana passada.

Qual é a visão do governo sobre os dividendos?

Apesar de haver divergências internas dentro do governo (de um lado o presidente da Petrobras Jean Paul Prates, alinhado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e, de outro, os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa), as discordâncias são mais pontuais do que parecem, segundo apurei.

Importante lembrar o que o então senador Jean Paul Prates falava da Petrobras antes da eleição do presidente Lula: ele defendia a redução da distribuição de dividendos, como publicamos em setembro de 2022.

A decisão da semana passada, de deixar os dividendos por um tempo na conta de reserva para remuneração de capital, foi tomada para facilitar o financiamento do plano de investimentos. O dinheiro que vai para essa conta pode ser usado para pagamentos de dividendos, recompra de ações, absorção de prejuízos e incorporação ao capital social. Ou seja, o dinheiro não será usado diretamente nos investimentos, mas estando na conta permite melhores empréstimos (um financiamento maior).

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Os recursos ainda podem ser distribuídos aos acionistas, mas esse debate só será retomado no próximo mês, perto da AGO (Assembleia Geral Ordinária), prevista para 25 de abril. Para usar o dinheiro diretamente em investimentos, seria necessário aprovar uma mudança no estatuto, o que não está no cenário.

O presidente da Petrobras deve cair em função desse ruído?

A subsituição de Jean Paul Prates não está em debate neste momento.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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