IPCA
0,42 Fev.2024
Topo

Todos a Bordo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Avião teve problema em pneu no DF e não abortou decolagem; havia riscos?

Avião da Gol decola do aeroporto de Guarulhos (SP). Aeronave é do mesmo modelo da que teve problemas com pneu no domingo (9) - Alexandre Saconi
Avião da Gol decola do aeroporto de Guarulhos (SP). Aeronave é do mesmo modelo da que teve problemas com pneu no domingo (9)
Imagem: Alexandre Saconi

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/04/2023 04h00

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

Um avião que foi de Brasília a São Paulo teve um problema com o pneu durante a decolagem no domingo passado (9) e prosseguiu até o destino mesmo assim. Por que a partida não foi interrompida? Houve risco aos passageiros?

Barulho forte na decolagem

Na decolagem, ainda na pista, o pneu do avião apresentou um problema. Os pilotos não interromperam o procedimento e continuaram o voo. O avião seguiu até São Paulo, onde pousou sem problemas.

Uma das camadas do pneu se desprendeu, causando um barulho de estouro. Mesmo com o problema, o pneu continuou inteiro. Ele manteve sua pressão interna normal e não teve sua capacidade de rodar alterada.

Era o caso de ter parado o voo?

A empresa ainda está analisando o que aconteceu de fato. São os pilotos do avião que julgam qual é a melhor alternativa para cada situação. A palavra final é sempre de quem está no comando da aeronave.

O manual do avião detalha quando a decolagem deve ser abortada. Em caso de falha do pneu, o avião só deve parar na pista se estiver abaixo de 80 nós (cerca de 148 km/h). Não foi divulgada a velocidade em que o avião estava.

Houve relatos de um barulho estranho na hora da decolagem. Entretanto, não se observaram problemas para controlar o avião.

Dependendo da situação, pode ser necessária uma manutenção mais aprofundada. Com isso, seria melhor pousar em um aeroporto onde haja uma base de manutenção da empresa.

Havia risco de explosão?

Os pneus das aeronaves são calibrados com nitrogênio. Esse gás se expande pouco com a variação de altitude, o que diminui o risco de explodir durante o voo.

Por que pousar em Guarulhos?

pneu - Alexandre Saconi - Alexandre Saconi
Pneu de avião Boeing 737 no hangar da Gol, no aeroporto de Congonhas (SP)
Imagem: Alexandre Saconi

O avião pousou no aeroporto de Guarulhos. O destino inicial era o de Congonhas, na capital paulista.

Em caso de incerteza sobre a integridade do pneu e sobre o que ocorreu, a melhor escolha é utilizar uma pista mais longa, como é o caso de Guarulhos. Embora não interfira em operações normais, em situações de emergência, o aeroporto paulistano poderia oferecer algum risco, como o avião não parar a tempo e sair da pista.

Congonhas tem quase 2 km a menos de pista disponível para pouso em comparação com o aeroporto de Guarulhos. Por isso, ele não costuma aceitar pousos de emergência ou que requeiram maior atenção por motivos de segurança.

A medida visa diminuir riscos. Em uma pista maior, há melhores condições de controlar o avião no solo, e há menos esforço para forçar uma parada, diminuindo o risco de desgaste do pneu.

Banda Charlie Brown Jr. estava no voo

Integrantes da Banda Charlie Brown Jr. estavam no voo. O guitarrista Marcão Britto relatou os momentos em seu perfil no Instagram.

Ontem [dia 9] passamos por um pequeno susto voltando do show em Brasília. Estourou um pneu do avião na decolagem e por conta disso, nosso pouso, que estava programado para Congonhas SP, foi alterado para a pista de Guarulhos, que é mais larga e extensa. Ficam aqui meus parabéns ao piloto, que tomou todas as medidas de segurança e mesmo diante da adversidade fez um belo pouso.
Marco Britto

Pneu estourar não é raro

O pneu não estourou no voo. Mas isso não seria algo tão incomum.

Foram 42 ocorrências do tipo na aviação regular no Brasil desde janeiro de 2012. Todas são consideradas incidentes.

Apenas três foram durante a decolagem. Outras 31 foram durante o pouso ou na corrida na pista após o pouso.

Não houve nenhuma morte. Apesar do susto, nenhuma dessas ocorrências causou mortes.

Apenas um dos incidentes registrou danos substanciais à aeronave. Todos os demais foram danos leves ou nenhum, com quase todas as aeronaves se movimentando para fora da pista por conta própria.

Os modelos que mais tiveram o problema foram o ATR-72 e ATR-42. No total, foram 16 incidentes do tipo.

Leia nota da Gol sobre o assunto

"A Gol informa que o voo G3 1665, que partiu às 10h50 do aeroporto de Brasília (BSB) com destino ao Aeroporto de Congonhas (CGH), precisou alternar para o aeroporto de Guarulhos (GRU) após o comandante ouvir um barulho próximo ao trem de pouso.

A aeronave pousou em GRU às 12h15 sem intercorrências, a tripulação realizou os procedimentos conforme preconizado e todos os passageiros desembarcaram em segurança. Foi identificado pela manutenção que o barulho se deveu ao desprendimento de um pequeno pedaço da banda de rodagem de um dos pneus, porém mantendo a integridade de pressão e rodagem do mesmo.

A Gol reitera que todas as ações referentes a este voo foram tomadas com foco na segurança, valor número 1 da companhia."

Especialista ouvido nesta reportagem: Bruno Chagas, presidente da Abraap (Associação Brasileira da Aviação Privada)