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Dólar sobe a R$ 4,481, e Bolsa vira e fecha em alta, em mês de recordes

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Do UOL, em São Paulo

28/02/2020 17h01Atualizada em 28/02/2020 19h42

O dólar comercial e o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, tiveram mais um dia de fortes oscilações em meio aos temores, mundo afora, dos impactos do coronavírus na economia global. Também foram influenciados, no fim do dia, pela indicação de que o banco central dos Estados Unidos pode cortar as taxas de juros para estimular a economia. Com isso, fecharam fevereiro batendo recordes.

O dólar comercial fechou o dia em alta de 0,13%, cotado a R$ 4,481 na venda, batendo outro recorde nominal (sem considerar a inflação) de fechamento. Foi o oitavo dia seguido de alta, a sequência mais longa desde 2015. Ao longo do dia, o dólar chegou a operar acima de R$ 4,51.

Em fevereiro, o dólar acumulou valorização de 4,56%, a maior para o mês também desde 2015 (6,19%). Em janeiro deste ano, já havia disparado 6,8%. No acumulado de 2020, a alta é de 11,67%. Na semana, a cotação saltou 2%, depois de ter subido 2,14% na semana anterior.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a registrar queda de mais de 2%, mas virou após as notícias vindas dos EUA e encerrou o dia em alta de 1,15%, aos 104.171,57 pontos. Na semana, porém, a Bolsa acumulou queda de 8,37%. Em fevereiro, a perda foi de 8,43%, a maior para um mês desde maio de 2018.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Temor com coronavírus no mundo

Fevereiro terminou com pânico nos mercados devido às preocupações sobre uma provável recessão global. O disparo do número de casos internacionais acabou com as esperanças de que o surto, que começou na China, termine em alguns meses e de que a atividade econômica volte rapidamente ao normal.

As apostas agora são de que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, cortará os juros no país já no próximo mês, e de que outros bancos centrais seguirão o exemplo para tentar estimular suas economias.

"O crescimento global começa a ser afetado pelo vírus, enquanto ainda se busca uma prevenção contra a doença", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora à agência de notícias Reuters.

O crescimento [previsto] do Brasil pode não ser alcançado devido ao impacto do surto. Outros países emergentes também podem ser prejudicados. Isso assusta todo mundo, e o investidor quer um porto seguro; alguns compram ouro, e outros compram dólar.
Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora

Alívio vindo dos EUA

O presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, disse que a economia dos EUA permanece em condição sólida, embora o surto de coronavírus represente um risco, e que o BC está pronto para agir, se for necessário, para apoiar a economia.

"Os fundamentos da economia norte-americana permanecem fortes", disse Powell, em comunicado. "No entanto, o coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. O Federal Reserve está monitorando de perto os desenvolvimentos e suas implicações para as perspectivas econômicas. Usaremos nossas ferramentas e agiremos conforme apropriado para apoiar a economia."

De olho na política no Brasil

No cenário nacional, a política permanece no radar depois de o presidente Jair Bolsonaro reclamar que o Congresso não coloca em pauta projetos de autoria do governo e que o Judiciário toma decisões contrárias a medidas adotadas por sua gestão.

O governo vive uma crise após Bolsonaro compartilhar um vídeo convocando manifestações em seu apoio e contra o Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal).

Recorde do dólar não considera inflação

O recorde do dólar alcançado nos últimos dias considera o valor nominal, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Levando em conta a inflação nos EUA e no Brasil, o pico do dólar pós-Plano Real aconteceu no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 22 de outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,952, mas o valor atualizado ultrapassaria os R$ 7.

Fazer esta correção é importante porque, ao longo do tempo, a inflação altera o poder de compra das moedas. O que se podia comprar com US$ 1 ou R$ 1 em 2002 não é o mesmo que se pode comprar hoje com os mesmos valores.

(Com Reuters)

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