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Universitários viram fabricantes de drones após trabalho de faculdade

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Um trabalho para a faculdade de engenharia mecânica virou um negócio na mão de Lucas Mondadori, 26, Fabrício Hertz, 28, e Lucas Bastos, 25. Com um projeto de aeronaves não tripuladas, mais conhecidas como drones, os então estudantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) conseguiram investimento para fundar a Horus Aeronaves. 

Foram R$ 50 mil do programa Sinapse da Inovação, do governo de Santa Catarina, além de consultorias no valor de R$ 30 mil e treinamentos de gestão. A empresa existe desde 2014, mas só em 2015 começou a vender drones. Por enquanto, há um único modelo disponível, usado principalmente para mapeamento aéreo de terrenos, com usos para a agricultura.

O produto custa R$ 58 mil e vem num kit com duas câmeras, duas baterias, aparelhos de radiocontrole e de telemetria. O valor ainda inclui um curso de operação com dois dias de duração, assistência técnica e garantia. Até agora, foram vendidas 14 unidades. A meta é chegar a 20 até o final de 2015. O faturamento e o lucro não foram divulgados.

Feira em São Paulo reúne empresas do setor

Para divulgar o trabalho, a empresa participa da feira Drone Show Latin America, realizada de 28 a 29 de outubro no Centro de Exposições Frei Caneca, em São Paulo. Mondadori diz que o mercado de drones está em alta, apesar de ainda não haver uma lei específica para o setor.

"Há inúmeras oportunidades de usos para os drones. Já fomos consultados até para desenvolver drone para monitoramento de baleias no oceano. A regulamentação vai trazer confiança para o produto e segurança para o mercado", diz o empresário. Atualmente, a empresa trabalha no desenvolvimento de novos produtos e vê oportunidades também fora do Brasil. 

Lei para drones deve sair no começo de 2016

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) participa do evento com palestras para empresários. A regulamentação dos drones está em consulta pública até o dia 2 de novembro no site da agência. Qualquer interessado pode enviar sugestões, e a previsão é que no início de 2016 seja anunciada a legislação do setor, segundo Roberto Honorato, gerente técnico de processo normativo da instituição.

Ele diz que a Anac já emitiu autorizações de uso de drones, mas quem pilota o aparelho sem tê-la corre o risco de ser denunciado, sofrer processos administrativos e pagar multa. Apesar disso, ele não vê a falta de legislação como atraso. "É natural que a atividade e a regulamentação se desenvolvam ao mesmo tempo", afirma.

Regulamentação deve trazer oportunidades para pequenos

Emerson Granemann, diretor da MundoGEO, realizadora da feira, diz que a regulamentação deve aquecer ainda mais o mercado. "Pequenas empresas montadoras de drones terão oportunidade de receber investimentos de fundos de capitais que estavam receosos." Mas a lei também pode fazer a concorrência aumentar, o que vai exigir profissionalização de quem estiver nesse setor, segundo ele.

O diretor vê oportunidades para prestadores de serviços autônomos, pois o investimento inicial é relativamente baixo para entrada neste mercado. "Há drones a partir de R$ 10 mil, com tecnologia embarcada que facilita o manuseio. Mas é importante buscar treinamentos para operar os aparelhos", declara.

Produtora de vídeos já sente efeito de alta na concorrência

Rodrigo Figueiredo, 38, é sócio da produtora carioca Peixe Voador, que faz imagens aéreas com drones para programas de televisão, propagandas e cinema, entre outros serviços. A empresa investe em drones desde 2013 e chegou a ter 12 aparelhos. Mas já sente a alta na concorrência no setor. 

"A representatividade dos drones no faturamento está diminuindo por causa do aumento da concorrência. Com a queda nos preços dos aparelhos, ficou mais fácil adquirir um. Estamos mudando nosso foco para aluguel de equipamentos e produção de conteúdo para não ficarmos dependentes deste mercado", afirma. 

Segundo ele, em 2013, 90% do faturamento do negócio, que não foi divulgado, vinha de filmagens com drones. Em 2014, caiu para 85% e, este ano, diminuiu para 60%. 

Serviço da feira:

Drone Show Latin America
Data: 28 e 29 de outubro
Horário: das 9h às 19h
Local: Centro de Exposições Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569, 4º andar, São Paulo)
Preço: R$ 50
Informações: www.droneshowla.com

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