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Em crise, bufês funcionam como parque e te deixam cozinhar a própria comida

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O mercado de festas e eventos também está sentindo os efeitos da crise, segundo empresários da área e consultor ouvidos pelo UOL. Há quem esteja fechando ou repassando o negócio, quem está criando alternativas como abrir para o público geral em dias em que não há festas marcadas, e quem está investindo em espaços diferenciados, onde o cliente pode cozinhar para os convidados ou receber um chef.

O empresário Otto Fialho, 65, atua há mais de 20 anos no ramo de bufês infantis, com o Kids Point, em São Paulo. Ele chegou a ter cinco unidades próprias, mas, nos últimos cinco anos, quando começou a sentir os efeitos da crise, vendeu duas, repassou outras duas e hoje administra uma só. Ele tenta focar em eventos para a comunidade japonesa do bairro da Saúde, na zona sul, onde está instalado, mas diz ter pouca verba para marketing.

"A concorrência cresceu muito, surgiram muitos bufês de pessoas sem experiência que brigam pelo preço. O poder aquisitivo da população diminuiu e os custos aumentaram muito. Deixou de ser um bom negócio", declara.

Abre como parque quando não tem festa

O empresário Marcelo Golfieri, 45, é dono da rede bufê infantil Cata-Vento, que tem 31 unidades em dez Estados. Também há mais de 20 anos no ramo, ele diz que agora precisa se reinventar para evitar a queda no movimento.

Ele criou o Dia da Diversão, em que abre as portas do bufê para o público geral e cobra ingresso por pessoa. Adultos pagam R$ 20 e crianças pagam R$ 40, pois podem se divertir em todos os brinquedos sem restrição. Comidas e bebidas são cobradas à parte.

"É também uma forma de atrair quem quer fazer festas menores, com poucos convidados, já que o mínimo para uma festa exclusiva é de 50 pessoas. Neste caso, reservamos uma parte do salão, servimos comidas e bebidas e cobramos R$ 100 por pessoa", afirma. O valor médio de uma festa para 50 pessoas é R$ 7.000.

Ele oferece ainda a possibilidade de fazer festas compartilhadas, ou seja, com duas ou três crianças da mesma escola ou da mesma família. "Dá para economizar mais da metade", diz.

Espaços inauguram com nova proposta

Os dados mais recentes da Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos) são de 2014 e apontam que o setor movimentou R$ 16,8 bilhões naquele ano. A entidade estima que, em 2015, os gastos com festas diminuíram 6%.

Ainda assim, há quem invista no ramo, mas com propostas diferenciadas. É o caso do empresário Gianfranco Cerro, 45, que acaba de inaugurar a Casa Nostra, um espaço para eventos, na vila Madalena, zona oeste de São Paulo. O investimento foi de cerca de R$ 100 mil.

Com uma cozinha toda equipada, permite que os próprios clientes cozinhem para seus convidados ou contratem o menu de um chef. O valor do aluguel do espaço parte de R$ 2.200 e pode subir com a contratação de serviços adicionais. Com capacidade para receber até 30 pessoas, ele espera atrair eventos corporativos e de família.

Fazer parcerias pode ser saída para a crise

Segundo Davi Jeronimo, consultor do Sebrae-SP, o segmento de festas e eventos continua sendo um bom negócio, desde que o empresário tenha flexibilidade. "São estruturas de alto custo, mas é possível diminuir as despesas fazendo parcerias, por exemplo. Em vez de manter uma equipe fixa para as festas, contratar fornecedores externos. Oferecer o espaço para outras empresas quando estiver ocioso."

Ele considera as festas compartilhadas e o Dia da Diversão do bufê Cata-Vento saídas criativas e estratégicas para a crise. Negócios que surgem com uma nova proposta, como a Casa Nostra, têm mais chances de dar certo, segundo Jeronimo. "É um novo conceito que pode ser copiado e dar certo. Está seguindo a tendência da gastronomia de menus assinados por chef e do 'faça você mesmo'."

Onde encontrar:

Kids Point: www.buffetkidspoint.com.br

Cata-Vento: www.buffetcatavento.com

Casa Nostra: www.facebook.com/casanostraencontrosgastronomicos

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