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Empreendedorismo

Negócios apostam em rodízio de pastel, brigadeiro, tapioca e até caipirinha

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/12/2018 04h00

Coma à vontade açaí por R$ 27,90, brigadeiros por R$ 39,90, tapiocas por R$ 43,90 ou mini-hambúrgueres por R$ 75. Por trás dessas promoções tentadoras, estão empresas tentando driblar a crise, fidelizar clientes e aumentar o faturamento. O rodízio chega a representar 85% da receita mensal do negócio.

Veja alguns exemplos abaixo.

Comida peruana

O chef Marco Espinoza, 39, dono do restaurante Lima Cocina Peruana, em São Paulo, disse que o rodízio representa 85% do faturamento mensal, que fica entre R$ 350 mil e R$ 400 mil. O lucro é de 18% por mês.

A casa foi aberta em março deste ano já com o sistema de rodízio, mas também vende pratos à la carte.

Por R$ 69 (almoço de segunda a sexta-feira) ou R$ 99 (jantar e almoços nos finais de semana e feriado), o cliente pode comer à vontade sete opções de entradas, sete ceviches e oito pratos principais, entre outras opções. Em média, a casa vende 3.000 rodízios por mês. O sistema funciona todos os dias.

Mini-hambúrgueres

Na Hamburgueria Artesanal, em São Paulo, o rodízio responde por 80% do faturamento, segundo o dono Bruno Petrone, 31. Faturamento e lucro mensais não foram informados.

"Desde 2013, quando implantamos essa forma de rodízio, a procura tem sido muito grande", disse. Por mês, são vendidos 1.400 rodízios, em média. A casa funciona de terça-feira a domingo.

O rodízio custa R$ 75 por pessoa, com direito a mini-hambúrgueres, batata frita com cheddar e bacon, cebolas empanadas e polenta à vontade, além de uma bebida (água, suco ou refrigerante). São mini-hambúrgueres com seis tipos de carne e 12 combinações. O cliente pode montar o mini-hambúrguer da forma que quiser. Também há opções doces (brigadeiro, beijinho e Nutella).

Brigadeiros

Quem resiste a um brigadeiro? E a um monte deles por R$ 39,90? Esse é o preço do rodízio de docinhos para adultos no Universo do Brigadeiro, em São Paulo. Crianças (de 6 a 10 anos) pagam R$ 24,90.

Selene Gallucci Sidney, 42, uma das sócias, disse que implantou o rodízio em 2015, um ano depois de abrir a empresa. O faturamento aumentou em 60% com o rodízio, segundo Selene. Ela não informa faturamento nem lucro mensais.

"O rodízio fideliza o cliente, pois ele pode experimentar várias versões do doce e depois voltar para um novo rodízio, já que sempre temos sabores diferentes a cada semana, ou para comprar unidades do doce e até encomendar para festas", afirmou. O Universo do Brigadeiro chega a vender até 50 rodízios por sábado, segundo Selene.

Funciona somente aos sábados, das 10h às 17h, com 20 opções do doce para comer à vontade. As opções variam a cada semana, e vão do tradicional até brigadeiros de açaí, leite em pó, cerveja, groselha, farinha láctea, uísque, caipirinha e churros, entre outros.

Espumantes

Três espumantes (Brut, Brut Rosé e Moscatel) fazem parte do rodízio nas cinco unidades do Vino! Bar. Nas duas unidades de São Paulo (Pinheiros e Maksoud Plaza Hotel), o sistema foi implantado no final de outubro deste ano; nas três de Curitiba (PR), o rodízio existe há um ano.

O cliente paga R$ 59 e pode beber à vontade. O rodízio acontece sempre às terças-feiras, das 18h às 22h. Segundo a empresa, o faturamento aumentou em 40% com o rodízio. A empresa não revela faturamento nem lucro mensais.

O Vino! Bar foi aberto em Curitiba em outubro de 2015, e chegou a São Paulo em março deste ano.

"O rodízio é a possibilidade de degustar espumantes sem aquele formalismo de ocasiões especiais, visto que o espumante é uma bebida de celebração. Mas por que não celebrar todas às terças com os amigos, num ambiente descontraído e animado?", declarou Thiago Prodocimo, 33, sócio-proprietário do Vino! Bar.

Petiscos

Aberto em março de 2017, o Pátio SP adotou o rodízio de petiscos em abril deste ano. Segundo Christian Caballero, 45, um dos sócios da casa, o faturamento da empresa aumentou 30%, considerando também as bebidas que são vendidas juntamente com o rodízio. A empresa não revela faturamento nem lucro mensais.

O cliente paga R$ 24,90 e pode comer à vontade seis tipos de petiscos, como batata rústica, coxinha e pastel (carne e queijo). O sistema funciona de segunda a quinta-feira, das 18h às 22h. Em média, a casa vende cem rodízios de petiscos por semana.

"É uma estratégia de marketing para que as pessoas conheçam os nossos produtos por meio dessa ação, com um custo versus benefício bom. É um atrativo para conhecer o bar e fidelizar o cliente", afirmou Caballero.

Açaí

Aberta em Olinda (PE) em 2013, a empresa Açaí na Cumbuca implantou o rodízio de açaí em junho deste ano. O faturamento mensal teve um aumento de 30%, segundo Lucas Medeiros, 23, um dos sócios da empresa. Faturamento e lucro não foram revelados.

O rodízio custa R$ 27,90, e a pessoa pode consumir nove sabores de açaí, de terça a quinta-feira, no período das 15h às 23h. São vendidos, em média, cem rodízios por mês.

Entre os sabores estão açaí tradicional, açaí batido com frutas (morango, banana, limão e uva), mesclado com creme de morango, com leite condensado, batido com chocolate e açaí zero açúcar.

Tapioca

A Bendita Tapioca, em Goiânia (GO), viu a clientela aumentar em 15% desde que implantou o rodízio, há três anos. Hoje, o rodízio representa 20% do faturamento da casa, que gira em torno de R$ 75 mil mensais. O lucro não foi revelado.

"Vimos a possibilidade de as pessoas degustarem mais sabores em um dia, pois, no rodízio, as tapiocas são servidas em tamanhos menores. Assim, a pessoa divulga a nossa empresa para a sua rede de amigos", disse Emiliana Maria Silva Lima de Paula, 69, sócia da empresa criada em 2009.

O rodízio de tapioca custa R$ 43,90 por pessoa (ou R$ 79,90 para duas pessoas). As tapiocas são pedidas na mesa, mas o cliente também tem direito a se servir de pratos (chamados de "panelinhas") no self-service. São nove recheios de tapiocas (seis salgados e três doces). A empresa vende de 20 a 50 rodízios por dia. Funciona todos os dias.

Pastéis

Com 20 sabores, entre salgados e doces, o rodízio de pastéis na franquia 10 Pastéis, em São Paulo, custa R$ 34,90. O rodízio representa de 20% a 30% do faturamento da empresa. O faturamento e o lucro mensais não foram divulgados. A franquia foi aberta em maio do ano passado, já com o rodízio em vigor.

"Os pastéis vêm no tamanho pequeno, de aperitivo. O cliente pode experimentar os tradicionais e os feitos de massa de chocolate e apimentada, além de pastéis vegetarianos e os tostados na chapa sem óleo também", disse Ricardo Nakatani, 45, dono da franquia.

Entre os sabores salgados há opções variadas, como os de estrogonofe, nachos e linguiça, além dos tradicionais (carne, queijo e pizza). Os doces são de beijinho, banana, chocolate com morango e doce de leite.

O rodízio funciona às quartas e quintas-feiras, a partir das 17h, e às sextas e sábados, a partir das 12h.

Caipirinhas

Rodízio de caipirinhas? Sim, o Café Bistrô Cereja Flor, em São Paulo, implantou o rodízio de caipirinhas em novembro de 2014, seis meses depois da inauguração do local. O faturamento aumentou 15%. Hoje, o rodízio responde por cerca de 20% do faturamento da empresa. Faturamento e lucro mensais não foram divulgados.

No rodízio, o cliente pode consumir quantas caipirinhas quiser, ou aguentar, feitas de vodca, cachaça ou saquê. Para acompanhar, estão inclusos quatro tipos de petiscos à vontade (fritas, onion rings, mini almôndegas ao barbecue e bolinhos de queijo), além de sobremesa (brigadeiro belga de colher). Custa R$ 76 por pessoa.

"Ultimamente, temos incluído diversas novidades em nosso cardápio na tentativa de aumentar o fluxo e consumo de clientes. O rodízio é uma das medidas que encontramos para isso", afirmou Jaqueline Alves, 42, dona do estabelecimento. Segundo ela, a casa vende cerca de 500 rodízios por mês, em média. O rodízio funciona de terça a sexta-feira, das 19h às 23h.

Rodízio deve ser chamariz para fidelizar cliente, diz consultor

Antes de aderir ao rodízio, é preciso definir qual a estratégia por trás, diz Leonardo de Paiva Lopes, 33, consultor do Sebrae-SP. "A empresa precisa decidir, por exemplo, se vai lucrar com o rodízio, ou a promoção é uma estratégia para ganhar em outros produtos, como bebidas e sobremesa." A partir daí, o empresário faz a composição do preço do rodízio.

Segundo ele, a empresa deve se preparar para o rodízio para "proporcionar uma boa experiência gastronômica" ao consumidor e, assim, fidelizar o cliente. "Se a proposta for bacana, a estratégia de fidelização funciona, pois gera tráfego no estabelecimento e clientes nunca vão sozinhos: levam mais clientes", declarou.

Para isso, disse ele, a empresa não deve se descuidar da qualidade dos produtos, do preço convidativo e do bom atendimento. "Uma boa estratégia é fazer um rodízio-piloto para testar o serviço, verificando se a cozinha dá conta dos pedidos, se o salão vai comportar a quantidade de clientes e se o ticket médio vai compensar o preço reduzido da promoção", afirmou.

Para ele, rodízio acaba sendo um "chamariz" para o estabelecimento, que aproveita a novidade para apresentar ao cliente os diversos pratos e sabores do cardápio da casa.

Lopes afirmou, no entanto, que, por reduzir a margem de lucro, a empresa deve compensar a perda monetária colocando o rodízio em dias de pouco movimento na casa. "Não adianta aumentar o faturamento, se não tiver lucro", declarou.

"A casa reduz a margem de lucro, mas ganha em volume de vendas e nos produtos à parte que são vendidos, como bebidas e sobremesas. A equipe de garçom deve, portanto, ser bem treinada para potencializar tais resultados."

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