IPCA
0.75 Mar.2019
Topo

Finanças pessoais


Com juros em alta, títulos e CDB rendem bem e deixam Bolsa mais arriscada

Tony Gentile/Reuters
Imagem: Tony Gentile/Reuters

Sophia Camargo

Do UOL, em São Paulo

2015-01-30T06:00:00

2015-03-09T15:38:47

30/01/2015 06h00

Com a taxa de juros no nível de 12,25% ao ano e com tendência de alta, ainda vale a pena correr o risco de investir em ações?

Para Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), não é hora de investir na Bolsa.

“Problemas com fornecimento de energia e de água, inadimplência e inflação em alta, risco elevado; tudo isso afeta o desempenho das empresas. É preferível contentar-se com o rendimento da renda fixa do que arriscar-se na Bolsa nesse momento”, diz.

E o rendimento da renda fixa não promete ser nada mau. Sem muito esforço, o investidor pode obter remuneração próxima de 1% ao mês, aplicando em investimentos que acompanhem a taxa de juros, tais como títulos do Tesouro Direto, fundos de renda fixa e DI, LCIs, LCAs e CDBs pós-fixados.

Garimpar para escolher bem e comprar barato

Na opinião do professor de finanças do Insper Ricardo Humberto Rocha, ninguém deve trocar o investimento em renda fixa pela renda variável neste momento.

Mas, se o prazo de investimento for de mais de cinco anos, ele acha que é possível encontrar boas oportunidades.

“Há muita incerteza sobre o Brasil e isso reflete nas empresas, mas ainda assim é possível fazer uma garimpagem, escolher muito bem os papéis para investir e comprar barato.”

Aplique o dinheiro que não vai fazer falta

Já o consultor de investimentos Lucas Ronzani da Costa vê o investimento em ações como uma forma importante de diversificação do patrimônio, desde que a pessoa tome cuidados.

“Nunca utilize o único capital disponível para aplicar tudo em ações. Aplique apenas o dinheiro que não vai lhe fazer falta. O dinheiro para manter a vida deve ficar na renda fixa”, diz.

Partindo desse princípio, ele acredita que há boas oportunidades na Bolsa para quem quer investir com prazo de um ano ou mais. “Há alguns setores da economia que vão se beneficiar com a inflação mais alta. O setor de concessões é um deles.”

Fundos de ações que pagam dividendos também podem ser uma boa opção para quem quer investir em ações correndo um pouco menos de risco.

10 erros de quem começa a investir em ações

  • Thinkstock

    Pressa de ganhar dinheiro

    É recomendável conhecer o mercado antes de investir e começar com pouco dinheiro no início. A pressa de ganhar dinheiro faz com que a pessoa arrisque mais do que deve, o que pode resultar em grandes perdas

  • Shutterstock

    Falta de humildade

    É o caso do investidor que leu dois livros de análise de ações, ganhou dinheiro com meia dúzia de operações e acha que já pode aplicar todo o capital na Bolsa. O mercado de ações exige estudo constante e cautela

  • Shutterstock

    Excesso de otimismo

    O investimento em ações deve ser feito com prudência e conhecimento, e não com base na crença de que "no fim, tudo dá certo". Operações com alto grau de risco podem corroer todo o patrimônio da pessoa e ainda deixá-la endividada

  • Yoshikazu Tsuno/AFP

    Falta de disciplina

    Estabelecer limites de perda e de ganho (conhecidos como 'stop') e obedecer a estes parâmetros é fundamental para operar no mercado de ações. O investidor não pode se deixar contagiar pelo otimismo nem se desesperar com quedas eventuais, típicas desse mercado

  • Thinkstock

    Falta de metodologia

    Sem uma metodologia de investimentos, o investidor opera de forma aleatória. Pede dicas, vende e compra sob pressão, se deixa influenciar por qualquer notícia. Antes de investir, é preciso ter um plano de operação e definir estratégia para atingir seus objetivos

  • Getty Images

    Excesso de informação

    O investidor precisa buscar conhecimento de todas as fontes disponíveis, mas deve tomar cuidado para não ficar confuso. Notícias são para enriquecer a cultura e o conhecimento, mas as decisões de investimentos devem ser baseadas na análise dos papéis

  • Thinkstock

    Dar atenção só ao que convém

    O investidor inexperiente que está com uma ação com forte tendência de baixa tende a ignorar as notícias ruins e dar crédito apenas às boas, tentando justificar seu investimento. O remédio contra isso é definir uma estratégia prévia

  • Shutterstock

    Comprar na alta

    O investidor só tem segurança de comprar a ação após várias altas consecutivas. Normalmente, porém, essa é a hora em que os grandes investidores já começam a vender o papel para embolsar os lucros

  • Arte/UOL

    Vender na baixa

    Nesse caso, o desespero de perder dinheiro demais leva a vender o papel. Mas os investidores mais experientes preferem comprar as ações quando elas estão com preço mais baixo. Estabelecido o limite de perda ou de ganho, este deve ser obedecido para evitar essa situação

  • Divulgação/JamesEdition

    Excesso de ganância

    Quanto mais risco tem o investimento, maior a possibilidade de ganho. Nessa situação, o investidor compromete não apenas o seu patrimônio mas também se endivida para conseguir realizar a operação. Essa situação pode levar o investidor a perder tudo e ainda ficar devendo. Bolsa não é jogo

Mais Finanças pessoais