Poupança é investimento mais seguro que o Tesouro Direto?

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Quando se fala em segurança no investimento, a primeira aplicação que vem à mente de muito investidor é a poupança. Mas será que a poupança é realmente o investimento mais seguro que existe?

Não existe investimento sem risco, afirmam Alexandre Cabral, professor de Finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração); Clodoir Vieira, professor de Finanças do Centro Universitário Senac; Eric Trevisani, planejador financeiro da Trevisani Adviser e Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest.

"A poupança tem garantias privadas, enquanto o Tesouro tem garantias públicas", afirma Calil. "Sendo assim, o Tesouro é mais seguro que a poupança, pois o governo tem a capacidade de aplicar impostos para cobrir suas despesas, enquanto o setor privado não pode se financiar desse modo", diz. 

Tesouro tem garantia do governo

A poupança é garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores. Ele permite recuperar os depósitos num banco em caso de quebra.

Essa garantia é de até R$ 250 mil por CPF, por banco. Esse valor inclui tudo: conta-corrente, poupança, CDBs, LCIs etc.

Assim, se alguém concentra todas as suas aplicações em um único banco, e ele quebra, só se consegue recuperar os R$ 250 mil. Se tiver mais que isso, é vantajoso separar os investimentos em outros bancos. Aí é esse limite por banco. Clique aqui para ver mais informações sobre o FGC.

Mauro Calil explica que, mesmo se o banco for público, a garantia também é privada. "E se um banco público quebrar, nada garante que o governo vai resolver, pois não há lei ou regulamentação que preveja tal situação de socorro", diz.

A garantia dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto é o Tesouro Nacional, ou seja, o governo. "É mais provável uma instituição privada quebrar do que o governo. Além disso, se o governo quebrar, isso também vai afetar as instituições privadas", diz Trevisani. 

Ele explica que se uma crise econômica depreciar todo o patrimônio público, nem a poupança nem o Tesouro estarão 100% seguros. "Ao comparar os investimentos não estamos falando sobre a qualidade da garantia, mas sim sobre o seu tamanho. Na poupança, a garantia é limitada a R$ 250 mil. No Tesouro, é sem limite", diz.

Poupança é simples e rápida

Comparando a poupança com o Tesouro Direto nos quesitos rentabilidade, liquidez (facilidade de transformar o investimento em dinheiro), simplicidade e incidência de taxas e impostos, a poupança se sai melhor em todos, menos na rentabilidade.

Quando se investe na poupança, é possível sacar o dinheiro no mesmo dia. No Tesouro Direto, o dinheiro é depositado no dia seguinte. 

Quem investe na poupança também não precisa se lembrar de reinvestir o dinheiro.  Uma vez depositado na caderneta, ele irá render sempre. "A poupança é imbatível quando se fala em liquidez e simplicidade", afirma Clodoir Vieira. 

O mesmo não acontece no Tesouro Direto. "O Tesouro é complicado; na verdade, ele não é direto, é indireto", diz Mauro Calil. Ao optar por esse investimento, é preciso procurar um banco ou corretora, escolher o tipo de título no qual quer investir, o prazo de vencimento, e também é preciso fazer novas compras quando o título vence.

"Não é que o Tesouro seja difícil, é a poupança que já está na cabeça das pessoas desde que elas usam fraldas", afirma Cabral.

Poupança é isenta de taxas e imposto

A poupança não tem qualquer incidência de taxas ou impostos.

No Tesouro Direto, há incidência de Imposto de Renda em função do prazo da aplicação (quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor será a alíquota cobrada). Veja a tabela:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Se o dinheiro ficar investido por um prazo inferior a 30 dias, haverá também cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Também existem taxas de custódia e de serviços que são cobradas no Tesouro Direto. Para saber mais sobre essas taxas e o funcionamento do Tesouro Direto, clique neste link.

Em rentabilidade, Tesouro vence

Quando se compara poupança com Tesouro Direto, o último vence na rentabilidade.

O economista Mauro Calil fez uma projeção de rentabilidade para uma aplicação de R$ 1.000, considerando que a taxa de juros básica da economia seja mantida em 14,25% ao ano. Não foi considerada a variação da TR para o cálculo.

Em seis meses:
Poupança: R$ 1.030,00 (rentabilidade de 3%)
Tesouro Direto: R$ 1.055,60 (rentabilidade de 5,56%, já descontado o IR de 22,5%)

Em um ano:
Poupança: R$ 1.061,70 (rentabilidade de 6,17%)
Tesouro Selic: R$ 1.114,00 (rentabilidade de 11,4%, já descontado o IR de 20%)

Em dois anos e um dia:
Poupança: R$ 1.127,20 (rendimento de 12,72%)
Tesouro direto: R$ 1.269,24 (rendimento de 26,92%, já descontado o IR de 15%)

"As pessoas precisam aprender que ganhar dinheiro dá trabalho. Sai muito caro eu escolher a comodidade da poupança em vez do Tesouro, porque isso significa perder dinheiro", diz Calil.

(Edição de texto: Armando Pereira Filho)

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