Petrobras: compro ou vendo a ação após ela subir 40% desde junho?
A Petrobras sempre foi uma das empresas mais buscadas por investidores na Bolsa brasileira. Desde junho, quando as ações preferenciais chegaram a R$ 14,50 logo após a paralisação dos caminhoneiros e a queda do então presidente Pedro Parente, a empresa voltou a se valorizar, e os papéis registraram alta de quase 40% desde então, cotados atualmente em torno de R$ 20 (PETR3 e PETR4).
Agora, após essa alta considerável, vale a pena comprar, manter ou vender as ações da petroleira? A perspectiva é positiva para a compra, mas a decisão do investidor deve ser cautelosa.
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Eleição deixa cenário confuso
Especialistas ouvidos pelo UOL concordam que a estatal deve manter os bons resultados operacionais pelo resto do ano, mas também admitem que o preço dos papéis deve sofrer com a questão eleitoral -e o que virá a seguir ainda é uma incógnita.
“Organicamente, este ano está garantido [quanto a resultados operacionais]. A grande questão é o que vem a partir de 1º de janeiro”, disse Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos. “Daqui para frente, a recomendação é neutra, justamente por conta de que a empresa está em uma encruzilhada”, afirmou.
A questão é que, com o panorama político ainda tão embaralhado, poucos se arriscam a dizer quem pode ganhar e qual seria a forma de governança da empresa. Então, quem já tem os papéis da Petrobras pode mantê-los, mas também quem está de fora não deve investir de maneira contundente na estatal.
Investir menos de 10% de seu dinheiro que está na Bolsa
Segundo Francisco, o máximo de exposição para quem quer arriscar e comprar agora o papel deve ser de 8,8% do total. Ou seja, quem investe R$ 10 mil na Bolsa deve, no máximo, comprar R$ 880 em papéis da Petrobras.
O temor dos grandes investidores é que, em outubro, seja eleito um candidato que retorne com o excesso de intervenção na empresa (que é estatal e por isso tem a gestão escolhida pelo presidente da República).
Caso esse cenário se concretize, o preço dos papéis deve sofrer um abalo -com o mercado antecipando o possível prejuízo antes mesmo do fim da eleição- e voltando a patamares abaixo do atual.
Agora está bom, mas e com o próximo presidente?
“O risco não é agora. O agora está dado. A partir do novo presidente é que iremos saber o que vem por aí. Mas, não temos domínio nenhum sobre isso. Portanto, vai haver um certo cuidado”, disse o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset Corretora.
“Vamos ter de aguardar, para o mercado visualizar qual cenário para a Petrobras, mas não vai haver nenhuma carnificina", afirmou.
Caso o candidato eleito pelo voto popular mantenha uma gestão independente na empresa, o preço dos papéis deve voltar a subir. É essa possibilidade que Galdi considera e, assim, prevê uma valorização de cerca de 15% nos papéis preferenciais da empresa em relação ao preço atual.
Empresa tem mostrado bons números
Apesar do temor para com a cena eleitoral, a Petrobras vem apresentando bons números após uma sequência de resultados negativos, com balanços abalados pelo represamento dos preços e até mesmo corrupção.
O balanço do segundo trimestre deste ano mostrou que o nível de endividamento da companhia está caindo, além de uma forte geração de caixa como consequência da política de preços atual da petroleira.
Foi esse balanço que ajudou a petroleira a voltar a casa dos R$ 20 na Bolsa após a turbulência causada pela paralisação dos caminhoneiros.
Preço do petróleo está subindo, o que é bom para a empresa
Outro fator que vem ajudando a empresa é a recuperação do preço do petróleo no mercado internacional. O barril do combustível, que chegou a custar US$ 35, agora chega a cerca de US$ 80.
Assim, dada a continuidade da gestão mesmo após a saída de Parente e o petróleo em novo patamar, é de se esperar bons resultados próximos. Portanto, comprar ações visualizando a valorização dos papéis depende mesmo da questão política.
E quem tem ações da Petrobras pelo FGTS?
Outra forma de investir na Petrobras é ter comprado os papéis por meio do fundo de ações do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Conforme os especialistas ouvidos pelo UOL, caso o proprietário das cotas não esteja endividado, o mais indicado é que ele mantenha o investimento para o longo prazo -já que a tendência é que os papéis voltem a se valorizar, graças aos fatores citados.
Dessa forma, a sugestão é de que o investidor deve manter o dinheiro aplicado, mas ficar atento aos desdobramentos da política e, principalmente, ter a noção de que o investimento é algo de longo prazo.
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