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Marisa lança previdência privada a partir de R$ 70 por mês; vale a pena?

Thinkstock/Getty Images
Imagem: Thinkstock/Getty Images

Vinicius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/12/2018 04h00Atualizada em 30/01/2019 12h01

Em meio a discussões sobre um possível endurecimento nas regras para concessão da aposentadoria no Brasil, o setor de previdência privada atrai olhares e novos interessados por aqui.

De olho nesse novo nicho, a Marisa, marca de roupas e lingerie femininas, é a primeira gigante do varejo brasileiro a se aventurar nesse mercado, ao oferecer planos de previdência privada aos consumidores da marca. Mas, será que compensa ao consumidor?

Desde setembro, em parceria com a companhia Icatu Seguros, a varejista oferece aos clientes um plano de previdência privada chamado Marisa Previdência.

Aplicação mensal a partir de R$ 70

O produto, que já é comercializado em lojas de quatro estados (SP, RJ, PE e GO), é voltado a clientes entre 18 e 64 anos, com duas opções de plano: R$ 70 ou R$ 100 como investimento mensal. O montante é cobrado na fatura do cartão de crédito da empresa, tornando o plano de previdência exclusivo para quem já possui o cartão.

O produto financeiro oferecido é do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), ou seja, ele não pode ser abatido no Imposto de Renda (IR). Porém, se o dinheiro é sacado, o imposto cobrado é em relação ao quanto o montante investido rendeu. Por isso, segundo a empresa, ele é voltado a quem é isento de Imposto de Renda ou usa o formulário simplificado.

O plano de previdência da Marisa também cobre casos de morte ou invalidez total e permanente, que varia de acordo com a idade do participante na contratação, e há uma carência de 60 dias para qualquer resgate.

Produto conservador, com investimento atrelado à Selic

Como o Marisa Previdência é classificado como um produto conservador, ele irá alocar o recurso em títulos do tesouro ou outros produtos de renda fixa, atrelados basicamente à Selic (taxa básica de juros), que atualmente está em 6,5% ao ano.

Assim, caso o montante de R$ 70 ou R$ 100 seja aplicado mensalmente pela pessoa em produtos como o CDB de um banco médio ou em títulos de tesouro, pode vir a render até mais que no produto da varejista caso as taxas e tributação não sejam muito altas.

Cliente paga 2% de taxa de gestão ao ano

Em planos de previdência privada, é comum a cobrança de três tipos de taxa: carregamento (cobrada sobre cada contribuição), gestão (todo ano) e saída (apenas no momento do resgate).

O Marisa Previdência é isento da taxa de carregamento, mas cobra 2% na gestão ao ano, ou seja, a cada R$ 1.000 investidos, R$ 20 ficam com a empresa.

Já a taxa de saída (cobrada nos resgates de valores) varia de 8% a zero, a depender do tempo de permanência no plano. Nos primeiros 12 meses, a taxa é de 8% e cai dois pontos percentuais a cada 12 meses -até chegar a zero.

De acordo com Célio Lopes, diretor de Produtos e Serviços Financeiros da empresa, a Marisa aposta na oportunidade do negócio graças ao aumento da expectativa de vida no país e pelas discussões sobre as mudanças na previdência pública atual.

Não à toa, junto com a aposta da varejista, o mercado de previdência privada como um todo espera crescer no país em 2019.

Vale a pena?

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, contratar um plano de previdência privada deve ser uma escolha baseada em diversos fatores, sendo três as mais importantes: quanto você pode pagar, quanto quer receber quando se aposentar e em quanto tempo.

"Um plano de previdência privada deve primar sempre por um objetivo maior: querer ter uma renda fixa daqui a cinco, dez anos, ou o tempo que for. Por isso, é sempre fundamental fixar um valor para essa renda. Que sejam R$ 2.000 ou R$ 3.000, por exemplo", disse Adriano Gomes, sócio da Methode Consultoria e professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

"E não esquecer da contagem regressiva, de quanto tempo contribuir e quanto pode sair do bolso para esse objetivo acontecer", afirmou ele.

Gomes também disse que, apesar da comodidade de contratar um produto enquanto compra uma roupa, por exemplo, o interessado não pode ter pressa.

"Ele precisa ler atentamente a apólice e todas as regras. Não precisa fechar na hora. Pode pegar a proposta e ir analisar em casa, levar aos concorrentes. Dá um pulinho no seu próprio banco e faça a mesma continha. De repente a proposta pode ser melhor", disse.

Concorrentes

E, de fato, o histórico de produtos bancários oferecidos por grandes varejistas não costuma favorecer o cliente. Empréstimos e saques com cartões dessas empresas podem esconder juros altos, além da cobrança de taxas.

Dois dos maiores players do mercado, Brasilprev (ligada ao Banco do Brasil) e Itaú Unibanco, possuem produtos de previdência semelhantes.

No Itaú Unibanco, o Itaú VGBL Proteção Familiar traz aplicações mensais de R$ 70, com taxa de administração de 3% ao ano e sem taxas de carregamento e de saída.

Já na Brasilprev, o Família Fix é semelhante ao produto vendido pela Marisa. Como um produto VGBL e conservador, tem contribuições mensais a partir de R$ 60, taxa de administração de 2%, mas é isento de taxas de carregamento. 

Antes de escolher, é importante pesquisar quais planos de previdência melhor atendem ao perfil e têm mais vantagens.

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UOL Notícias
Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, os produtos Família Fix, da Brasilprev, e VGBL Proteção Familiar, do Itaú Unibanco, não cobram taxa de carregamento. As informações foram corrigidas.

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