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Investimento sem imposto de renda nem sempre é bom; veja comparação

Se você costuma buscar investimentos seguros, provavelmente já viu ofertas de títulos isentos de Imposto de Renda, como LCA e LCI. À primeira vista, pode parecer que tais aplicações sempre são melhores do que aquelas que pagam IR, como o CDB e o Tesouro Direto. No entanto, nem sempre isso é verdade. É muito comum, aliás, haver um CDB que traga uma rentabilidade melhor do que as aplicações livres de IR.

Na coluna de hoje, eu comparo a rentabilidade de investimentos com e sem IR, explico por que o não isento muitas vezes ganha e explico o que fazer para que você sempre encontre o título com maior rentabilidade.

Comparação: investimento com IR e sem IR

Fazendo um levantamento de alguns investimentos para esta coluna, encontrei um título isento de IR com ótima rentabilidade. Trata-se de uma LCI do Banco Inter que rende 88% do CDI. Essa é uma rentabilidade muito boa para um título com liquidez diária, ou seja, que permite ao investidor fazer o resgate quando quiser.

Para sermos justos, só podemos comparar esse investimento com um CDB que também tenha liquidez diária.

De fato, a LCI do Inter ganha de muitos CDBs, mas nem sempre bate o CDB do banco Sofisa Direto que rende 110% do CDI.

A LCI do Inter só rende mais se você resgatar o dinheiro em menos de seis meses. Se mantiver o valor aplicado por um período entre seis meses e um ano, o CDB do Sofisa já empata. Mantendo por mais de um ano, o CDB passa.

Por que o investimento isento nem sempre ganha

Os investimentos isentos de IR nem sempre batem os demais por dois motivos. Primeiro porque o mercado, em si, tende a igualar a rentabilidade líquida de ambos.

Por exemplo, se um banco tem uma LCI (isenta) que rende 10% ao ano, não faria sentido essa mesma instituição financeira lançar um CDB com rentabilidade bruta também de 10% ao ano, pois, com o IR, o CDB ficaria em clara desvantagem e ninguém iria investir nele.

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Continuando no mesmo exemplo, se esse banco quiser emitir um CDB, ele precisa oferecer uma rentabilidade um pouco mais alta, para torná-lo atraente aos investidores.

Da mesma forma, se o banco já tem um CDB que rende 12%, ele não pode lançar uma LCI com essa mesma rentabilidade, pois isso acabaria com as chances de ele captar dinheiro via CDB. Assim, se for emitir uma LCI, será com uma taxa menor.

A outra razão que explica por que os investimentos isentos nem sempre ganham está no fato de que o IR é cobrado de forma regressiva: quanto mais tempo o seu dinheiro fica aplicado, menos imposto você paga. Consequentemente, maior é a sua rentabilidade líquida.

É por isso que, às vezes, o investimento com IR rende menos do que o isento nos primeiros meses (porque a alíquota para quem resgata em menos de seis meses é de 22,5%). Mas depois, o CDB pode passar em rentabilidade, pois, após dois anos, o IR cai para apenas 15%.

Como saber onde investir?

Entre um investimento de renda fixa com IR e um sem, para saber qual rende mais seria preciso fazer algumas contas e ter um conhecimento de como funcionam as rentabilidades.

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Por isso, se você está em dúvida entre um determinado CDB e uma LCI, por exemplo, o melhor que você tem a fazer é perguntar ao seu assessor ou gerente qual deles tem uma rentabilidade líquida maior no período em que você pretende deixar o valor aplicado.

Em vez de simplesmente perguntar qual dos dois rende mais, é melhor ser preciso e indagar: "Se eu resgatar o dinheiro daqui a um ano, qual dos dois terá a maior rentabilidade líquida?"

É importante constar da pergunta tanto o prazo do investimento como a expressão "rentabilidade líquida". Afinal, o que interessa é quanto vai sobrar para você após pagar o IR.

Alguma dúvida?

Tendo alguma dúvida sobre investimentos, me siga no Instagram e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida nesta coluna.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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